Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020

ENTREVISTA Bruno de Freitas 44 Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 O sr. falou, anteriormente, em frutos colhidos. O relacio- namento da SBM com a ExxonMobil para o projeto Liza pode render frutos para o Brasil? O que posso dizer é que trabalhamos sempre visando as IOCs e a Petrobras. O desenvolvimento com uma empresa como a ExxonMobil continua no âmbito global. É sempre bommanter um bom relacionamento com qualquer clien- te e que ele esteja feliz com a entrega. A gente tem interes- se? Sim, a gente tem interesse. A gente vislumbra e gostaria? Sim, e a gente trabalha no âmbito global com eles. Mas tem algum tipo de conversa em curso com a Exxon- Mobil com foco no Brasil? Qualquer coisa, se vai ter ou não projeto, datas, não posso comentar. Confidencialidade com o cliente. O que posso só falar é que temos a tratativa global sempre em curso, e é óbvio que inclui o Brasil. É um cliente im- portante para a empresa. Desculpe, sei que o sr. não quer e não pode falar sobre a negociação do FPSO Almirante Tamandaré. No entanto, o que faltou para a SBM em Carcará e o que fez diferença no projeto de Búzios? Difícil dizer. Eu teria que entrar em detalhes, mas diria que estamos falando de duas empresas diferentes, uma IOC e a Petrobras. É uma pergunta que, para res- ponder, tenho que entrar no detalhe do negócio e não posso fazê-lo, então, fica complicado. Depois do resultado de Carcará 1, arrematado pela Mo- dec, a SBM ainda nutre algum tipo de expectativa com a Equinor para o projeto de Carcará 2 ou esse projeto já é da- do como perdido? A gente nunca sabe a decisão da empresa, o que es- tá acontecendo. Por isso, mantemos contato. A empresa pode querer dar continuidade ou querer mudar. Pode achar que consegue algo melhor para ela. Estamos sem- pre analisando o mercado para buscar as alternativas. A gente não se fecha a ninguém. Não temos esse luxo. Apesar dos cortes, a Petrobras sinaliza uma lista de 12 no- vos FPSOs no curto prazo. A indústria de FPSO tem fôlego para atender essa encomenda, tendo em vista a capacidade de exe- cução de obra e financiamento, além do fato de a SBM e Modec terem quase um duopólio das unidades de grande porte? Creio que sim. Você acabou de falar no nome de duas empresas, mas nenhuma delas assinou o último grande projeto. O último projeto da Petrobras assina- do foi com a Misc. Ou seja, isso mostra que a compe- titividade existe. EPC está no radar da SBM? Estamos abertos a todas as possibilidades e mo- dalidades. Estamos sempre avaliando nossas possibi- lidade dentro do portfólio e do momento da empre- sa. Nossa missão é de dois a três FPSOs por ano. En- tretanto, imagina que exista sete oportunidades. Não vamos conseguir pegar sete. Então, para isso, você começa a selecionar para colocar sua força para tra- balhar naquilo. Mas a predileção do grupo se mantém no modelo de afre- tamento, certo? O modelo de afretamento é o carro-chefe da empre- sa, mas lembrando que a SBM é uma empresa full cycle , ou seja, trabalhamos no EPC, trabalhamos com EPCI - a SBM já fez no passado a P-57, que foi um modelo de BOT. Estamos abertos a todas as possibilidades, mas vo- cê olha para o momento para avaliar onde vai colocar a energia, se vai ser no A, no B ou no C. O sr. mencionou que a SBM não se fecha a nenhuma al- ternativa. Isso vale também ao FPSO da Shell para Gato do Mato e outras unidades de menor porte? A crise do setor re- direciona e amplia o foco do grupo a outras unidades? Sim, isso vale para qualquer projeto. A gente está sempre analisando e, se olharmos o portfólio da SBM, Liza não é uma unidade do mesmo porte, por exemplo, do FPSO Sepetiba. Isso mostra que a SBM possui no seu portfólio tanto fast4ward e newbuilds , quanto uni- dades convertidas de menor tamanho. Para concluir, quais metas e desejos o sr. possui na no- va posição? Sendo o Brasil um país estratégico para a compa- nhia, tenho que continuar o bom trabalho já realiza- do. Não é que eu esteja enchendo a bola do Eduardo Chamusca, mas ele é o primeiro brasileiro a assumir uma posição global no Brasil. Isso mostra a impor- tância do trabalho que ele estava desenvolvendo. A meta que tenho é dar continuidade ao trabalho feito. O desejo? Quero ganhar novos projetos, com certe- za. Partir para o crescimento da empresa no Brasil de maneira estruturada. n

RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=