Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020

Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 57 O Banco do Nordeste (BNB) deve fechar 2020 com R$ 6 bilhões contratados para projetos eólicos e so- lares. O orçamento total para in- fraestrutura no ano, com recursos do Fundo Constitucional de Fi- nanciamento do Nordeste (FNE), é de R$ 7,9 bilhões. Segundo informações do BNB à Brasil Energia , a expectativa é de que sejam contratados R$ 4 bi- lhões em 2 GW de projetos eólicos, em 60 operações de financiamen- to. Até o fechamento desta matéria, R$ 2,2 bilhões já tinham sido con- tratados e estavam sendo analisa- dos um total de pedidos de finan- ciamento – fechados em junho – de R$ 4,2 bilhões, dos quais menos da metade serão aprovados para che- gar no total de R$ 4 bilhões. Já para projetos fotovoltaicos, a expectativa é de R$ 2 bilhões envol- vendo 27 operações para um total de 1,1 GW, sendo que R$ 700 mi- lhões já estão contratados e R$ 1,6 bilhão está em análise no banco. Em 2020, do total já contrata- do, R$ 1,6 bilhão são de projetos do mercado livre e R$ 3,2 bilhões es- tão tramitando na área de crédito do banco. Em 2019, o financiamento foi 29,4% maior do que o previsto pa- ra este ano para o setor de energia, com total de R$ 8,5 bilhões contra- tados, sendo R$ 7,15 bilhões em eó- licas e R$ 1,3 bilhão para solar. O total disponível para infraestrutura foi de R$ 11,2 bilhões. A redução tem a ver com o im- pacto na arrecadação de impostos federais por conta da pandemia e também com a suspensão por seis meses do repagamento das dívidas de empresas financiadas pelo ban- co, medida tomada para atenuar os efeitos da crise. Isso porque o FNE tem essas duas fontes de recursos. PRÓXIMOS ANOS A partir de 2021, há expectativa no mercado de que a participação do BNB continue a diminuir sua re- levância. O receio é de que o orça- mento do banco ainda sofra o im- pacto da crise sanitária no próximo ano, já que a arrecadação menor de- ve também diminuir o volume de recursos do FNE proveniente dos repasses de 1,8% do total arrecada- do pelo IPI e pelo IR nacional. Ocorre, porém, que a maior parte dos recursos do fundo, cerca de 70%, é formada pelos reembol- sos dos beneficiários do crédito do banco, ou seja, as empresas que pa- gam suas dívidas de empréstimos tomados ao longo dos anos. Na opinião do diretor da con- sultoria Watt Capital, Eduardo To- bias Ruiz, por exemplo, esse perfil do fundo deve fazer com que pelo menos o orçamento se mantenha estável no próximo ano. “Não acre- dito que apenas a queda da arreca- dação afete tanto o orçamento do banco”, disse a Brasil Energia . Com a retomada dos repagamentos, essa fonte de recursos deve se recuperar. Mas depois de 2021, para Ruiz, outro ponto que merece atenção é a predisposição do governo de uti- lizar o BNB para financiar proje- tos de saneamento, que recebeu um novo fólego depois da promul- gação do novo marco regulatório neste ano. Nesse caso, a fatia hoje majoritária para projetos eólicos e solares deve diminuir consideravel- mente. A opção aí será os investido- res acessarem mais outras fontes de crédito importantes, o BNDES e o mercado de capitais com a emissão de debentures de infraestrutura. “Nenhuma das duas fontes, po- rém, tem as condições do BNB”, afirmou Ruiz. Em setembro, as ta- xas do banco, para projetos em áre- as prioritárias (cidades listadas na Sudene com menor renda), foram de IPCA mais 1,0898% de spread ao ano e, para os não prioritários, com IPCA mais 1,332% ao ano. n

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