Brasil Energia | Ed. 465 - Outubro, 2020
Brasil Energia , nº 465, 31 de outubro de 2020 75 de recuperar market share como re- sultado do declínio da produção nos EUA. À medida que a demanda co- meça a melhorar e a superar a oferta, isso deve estimular os investimentos internacionais em petróleo e gás. Na América do Norte, a Hallibur- ton tem como prioridade estratégica manter negócios enxutos e mais lu- crativos. Os esforços começaram no segundo trimestre, quando a compa- nhia anunciou a redução de 50% na força de trabalho e imóveis na região, onde a maior parte do corte de US$ 1 bilhão nos custos foi direcionada. De acordo com Miller, a estra- tégia para a América do Norte per- mitirá à companhia navegar neste momento de retração da indústria. Outra grande fornecedora do se- tor, a Baker Hughes também está ra- cionalizando o seu portfólio e redu- zindo custos. A companhia pretende alcançar economia de US$ 700 mi- lhões nesse ano, dos quais 75% foram concluídos no terceiro trimestre. PERSPECTIVAS O próximo ano é o horizonte de- finido pelas três companhias para o início da recuperação do mercado. Para Miller, da Halliburton, o ritmo de declínio das atividades nos merca- dos internacionais está desaceleran- do, aproximando-se do piso. De acordo com o CEO da Baker Hughes, Lorenzo Simonelli, as ati- vidades se estabilizarão no início do ano, com oportunidades de recupe- ração em alguns mercados no segun- do semestre. “No entanto, acredita- mos que qualquer recuperação po- tencial no segundo semestre de 2021 exigirá preços mais altos do petróleo e que a maior parte dos aumentos da atividade provavelmente virão de ba- cias de baixo custo”, ressaltou. Em nota, Le Peuch, da Schlumber- ger, declarou que a companhia prevê que as atividades se consolidarão gra- dualmente em 2021, mas alertou para a fragilidade de uma possível recupera- ção no curto prazo diante do potencial de ondas subsequentes de Covid-19. ESTRATÉGIAS Atenta às discussões sobre transi- ção energética, a Baker Hughes defi- niu três pilares para a sua transforma- ção emuma companhia de tecnologias energéticas.Alémda revisão de portfó- lio, corte de custos e uso de tecnologias digitais, a companhia pretende investir em oportunidades de crescimento no setor industrial, químico e demateriais não-metálicos, além de se posicionar emáreas associadas à transição energé- tica, como captura de carbono, hidro- gênio e armazenamento de energia. “Emboraaindaestejamuitonoinício da evoluçãodesses trêsmercados,acredi- tamos que a BakerHughes pode desem- penhar um papel fundamental no de- senvolvimento futuro dessas áreas coma tecnologia que temos internamente”, de- clarouSimonelli,emconferênciacomin- vestidoresno final deoutubro. No entanto, o executivo ressaltou que os negócios de serviços de campos petrolíferos permanece central para a companhia, comoóleo e gás desempe- nhando um papel importante na ma- triz energética no futuro próximo. Da mesma forma, o CEO da Halli- burton, Jeff Miller, destacou que, na sua visão, o mundo precisará de óleo e gás por muito tempo e que “na medi- da emque o capital é desviado por cer- tos clientes, mais capital será investido por outros”. Mas, para garantir o seu espaço na transição, a companhia criou o Halli- burton Labs em julho, que facilitará o desenvolvimento de novas empresas com foco em fontes mais limpas de energia, oferecendo as instalações, ex- pertise e network da Halliburton em troca de equidade nas empresas. Também a Schlumberger criou seu negócio de New Energy no início do ano e, em agosto, anunciou parceria coma Thermal Energy Partners (TEP) para a criação da Step Energy, uma companhia especializada no desenvol- vimento de projetos geotérmicos. RESULTADOS As três companhias consegui- ram reduzir seus prejuízos trimes- trais, com perdas líquidas de US$ 17 milhões (Halliburton), US$ 82 milhões (Schlumberger) e US$ 170 milhões (Baker Hughes). Por outro lado, quando se trata das margens operacionais – que mede o quanto da receita de uma companhia vemde suas operações – os resultados são diferentes para as fornecedoras. A Baker conseguiu recuperar suas margens em quase todos os segmen- tos (Serviços de campos petrolíferos, Equipamentos e Soluções Digitais), mantendo os resultados do trimestre anterior na área de Turbomáquinas, mas elas permaneceram baixas – entre 2,6%e 12,6%. Da mesma forma, a Hallibur- ton registrou crescimento em suas margens nas suas duas áreas de ne- gócios, ainda que estejam na faixa de 7,5% a 13,5%. Já a Schlumberger apresentou que- da nos negócios de Caracterização de Reservatórios, Perfuração e Cameron, que ficaram entre 6,3% e 16,7%, en- quanto na área de Produção amargem operacional cresceu para 12,6%, ante 1,5% no período anterior. No entanto, a margem operacional da companhia cresceu para 10,9%, ante 7,4% no tri- mestre anterior e 12,8%ano a ano. n
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