Brasil Energia | Ed. 466 - Dezembro, 2020
Brasil Energia , nº 466, 1 de dezembro de 2020 25 D iante da volatilidade a que está submetida a indústria offshore, que ora contrai, ora expande seus investi- mentos ao sabor da flutuação dos preços do petróleo no mercado in- ternacional, o envelhecimento da infraestrutura de produção pode ser uma boia de salvação para a ca- deia de fornecedores de bens e ser- viços. Afinal, das seis mil árvores de natal molhada (ANM) instala- das no mundo, 50% delas somam 10 anos ou mais – um aumento de 10% em relação a 2012 –, razão pe- la qual a contratação de ROVs de- ve manter níveis estáveis de cresci- mento nos próximos anos. Em uma consulta que a Brasil Energia fez à Rystad Energy, a con- sultoria norueguesa também reve- lou que Brasil e Noruega detém a maior parcela dos ativos existen- tes, motivo pelo qual serão os paí- ses que até 2025 vão liderar as ex- pansões. “Até lá, 400 ANM acom- panhadas de 20 mil km de umbili- cais, risers e flowlines (SURF) serão instaladas em âmbito global”, afir- mou Henning Bjørvik, vice-presi- dente da Rystad. No caso da Petrobras, a maior operadora global de equipamen- tos submarinos, está sob o seu do- mínio operacional 1.162 ANM, 111 manifolds, aproximadamente 18 mil km de dutos e 5,4 km de umbi- licais. Atualmente, a companhia de- tém, sob contrato, 35 embarcações com recursos de ROV. Amaior parte da base ativa de equipamentos e li- nhas instaladas está concentrada em campos maduros e marginais. “Campos maduros, como o de Marlim, terão de ser revitalizados com a interligação e intervenção de poços, o que irá requerer mais serviços de IMR e veículos subma- rinos”, avalia Adyr Tourinho, dire- tor-presidente da Abespetro. Mes- mo as atividades de descomissio- namento devem movimentar esse mercado, já que o abandono de po- ços requer intervenções. A hegemonia do ROV, no entan- to, está sendo desafiada em termos econômicos, ambientais e tecnológi- cos. Em relação aos custos, o AUV é mais competitivo, pois dispensa a ne- cessidade de embarcação (e potenciais emissões de carbono). Além disso, a possibilidade de oAUV realizar levan- tamentos 3D com câmeras de alta re- solução, laser e algoritmos inteligentes coloca novamente o ROV convencio- nal em desvantagem. “É um caminho sem volta”, assegura Tourinho. VINTE MIL LÉGUAS DE INOVAÇÕES As inovações tecnológicas no terreno da robótica submarina avançam rapidamente com a in- corporação da inteligência artifi- cial, aprimoramento da capacida- de de processamento de dados e docagem no fundo do mar. É o ca- so do FlatFish, um drone de ins- peção autônomo desenvolvido pe- la Shell/BG e o Senai-Cimatec. Fi- nanciado com recursos da cláusula de P&D da ANP, a Shell uniu es- forços com a Saipem para concluir as etapas finais de seu desenvolvi- mento e industrialização. Apesar de ser um veículo autô- nomo, o design do FlatFish dife- re de um AUV convencional. Este, concebido na forma de um torpe- do, se desloca apenas em trajetória retilínea. O FlatFish, entretanto, é capaz de se mover em todas as di- reções. Por isso, a Shell e a Saipem o classificam como um drone de inspeção. Em seu projeto, orçado em R$ 30 milhões, o veículo é um re- sidente do fundo do mar. Devida- mente “alojado” em sua dock sta- tion , onde é capaz de ficar por até seis meses sem emergir, o robô re- cebe o comando da superfície e, de modo autônomo, percorre as instalações subsea, realiza inspe- ções visuais, envia os dados cole- tados e retorna para a sua “gara- gem”, onde faz a sua recarga e es- pera pela próxima missão. O gerente de Tecnologia Sub- marina da Shell, Diego Juliano, re- velou à Brasil Energia que a com- panhia está desenvolvendo um conceito ainda mais radical do que a dock station : uma garagem móvel. Segundo o executivo, ela será utili- zada em casos onde é mais viável do ponto de vista econômico o lan- çamento temporário do FlatFish. A solução deve ser aplicada em cam- pos com arquiteturas subsea menos complexas. “A maturidade do FlatFish será colocada à prova por um piloto em águas profundas no Brasil previs- to para o final de 2021”, disse Edu- ardo Oazen, gerente Comercial da Saipem. Além do FlatFish, a Saipem pos- sui o Hydrone-R, veículo autô- nomo híbrido capaz de combinar
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