Brasil Energia | Ed. 466 - Dezembro, 2020
38 Brasil Energia , nº 466, 1 de dezembro de 2020 PETRÓLEO A tempestade perfeita ocasio- nada pela baixa persistente do preço do barril do petró- leo com a pandemia da Co- vid-19 já deixou seu rastro no mapa exploratório brasileiro.Até meados de setembro, o país acumulava a insatis- fatória marca de 33 blocos devolvidos integralmente à ANP, ante o patamar de 19 áreas descontinuadas nomesmo período do ano anterior. Pressionadas pela necessidade de cortar custos e revisar a carteira de projetos, petroleiras de grande, mé- dio e pequeno portes se apressam em devolver blocos que não esta- vam no radar das devoluções antes da pandemia. O caso mais recente apurado pela Brasil Energia é o da BP Energy, que entregou o bloco C-M-535, localiza- do em águas profundas da Bacia de Campos e arrematado na 7ª rodada, em 2005. A julgar pelo andamento das de- voluções até o momento, não será surpresa se, ao final de 2020, o nú- mero ultrapassar a marca de 47 blo- cos devolvidos, registrada em 2019. Se a curva se mantiver nessa rota ascen- dente, o mapa exploratório brasilei- ro acumulará mais um ano de cresci- mento dos indicadores de devolução. Desde 2018, quando foram entre- gues 37 ativos exploratórios à ANP, o número de blocos devolvidos inte- gralmente vem crescendo a cada ano. O último freio foi registrado em 2017, quando foram devolvidos apenas 11 contratos exploratórios, ante o total do ano anterior de 39 ativos. RAIOXDO CENÁRIO Das 33 áreas devolvidas até mea- dos de setembro, quatro estavam sob concessão no offshore e 29 no onsho- re. Além dos blocos integrais, foram realizadas também quatro devolu- ções parciais, ao longo dos nove pri- meiros meses do ano. Os quatro blocos offshore en- tregues ao órgão regulador são ES- -M-527 e ES-M-594, localizados no Espírito Santo e operados pela Petro- bras, FZA-M-320 (Foz doAmazonas), arrematado pela Ecopetrol, e C-M- 535 (Campos), que estava a cargo da BP. No caso da Foz do Amazonas, a devolução foi realizada sem que a pe- troleira colombiana chegasse a perfu- rar poços exploratórios na região. O número de blocos descontinu- ados até meados de setembro repre- senta 12% da atual carteira explora- tória sob contrato. Omapa brasileiro exibe, hoje, 265 blocos, dos quais 153 estão localizados embacias offshore e 112 em áreas terrestres. Em 2019, as devoluções forma- lizadas à ANP foram áreas explora- tórias localizadas nas bacias do Acre, Alagoas, Campos, Espírito San- to, Foz do Amazonas, Paraná, Poti- guar, Recôncavo e Sergipe. Mais de 70% dos blocos que não tiveram seus contratos continuados estavam concentrados no Recôncavo, Sergi- pe e Alagoas, que juntos acumulam a marca de 24 ativos. Os 33 contratos encerrados fo- ram de ativos dos bids 6, realizado em 2004, 7 (2005), 11 (2013), 12 (2013) e 13 (2015). A maior baixa se concen- trou na 12ª rodada, com25 blocos de- volvidos. Já o recordemensal de devo- luções ocorreu em junho, com a en- trega de nove blocos (sete onshore e dois offshore). As áreas devolvidas eramoperadas pela BP, Ecopetrol, Petrobras, Geopa- rk, Nova Petróleo e Petra. A Petrobras lidera a lista com 21 blocos devolvi- dos, sendo 19 terrestres e dois maríti- mos, seguida de longe pela Geopark e Nova Petróleo, cada uma com quatro áreas. PETROBRAS E SEUS CORTES A Petrobras devolveu áreas das ba- cias do Espírito Santo (duas), Sergipe (sete), Alagoas (quatro), Acre (uma) e Recôncavo (sete). Prevaleceu a estra- tégia da gestão de Roberto Castello Branco de cortar gastos e investimen- tos, se desfazer de ativos de menor ro- bustez e concentrar as atividades em projetos de maior porte do offshore. Hoje, a Petrobras opera apenas 74 blocos, já incluídos os seis ativos da Foz do Amazonas herdados da Total e da BP.A carteira é formada por 71 ati- vos offshore e somente três áreas ex- ploratórias terrestres, localizadas na Bacia do Paraná. Emmarço de 2019, a companhia brasileira respondia pela operação de 103 blocos, ou seja, no período de 18 meses deu baixa em 28% de suas áreas exploratórias. O portfólio era formado por 67 áreas marítimas e 36 terrestres. Neste período, a companhia dei- xou de operar nas bacias de Alago- as, Parnaíba, Acre e Recôncavo. Atu- almente, comanda blocos em 14 ba- cias – Foz do Amazonas, Camamu, Almada, Barreirinhas, Campos, Espí- rito Santo, Jequitinhonha, Pará-Mara- nhão, Paraná, Pelotas, Pernambuco- -Paraíba, Potiguar, Santos e Sergipe. BAIXADABP A decisão da BP Energy de devol- ver o BM-C-535 foi recente e pressio- nada pela atual determinação de cor- te de investimentos, diante da crise do preço do barril do petróleo e da que- da de demanda. A petroleira britânica formalizou a devolução do ativo em meados de setembro, quase coincidin- do coma transferência da operação de
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