Brasil Energia | Ed. 466 - Dezembro, 2020

ISSN0101-7837 Diretor Presidente Celso Knoedt Diretores Patrícia Quintão Rosely Máximo Editora Executiva Lívia Neves Redatores Ana Luisa Egues Antonio Carlos Sil Bruno Postiga Carlos Vasconcellos Celso Chagas Chico Santos Cláudia Siqueira Fabio Couto Felipe Salgado Lais Carregosa Marcelo Furtado Thais Custodio Tratamento de Dados Mauricio Fagundes Rick Marzioni Programação Visual Ana Beatriz Leta ASSINATURAS Gerente de Assinaturas Alessandra Alves assinaturas@brasilenergia.com.br Tel: (21) 3503-0303 / 98702-4237 Digital Diário + Impresso AssinaturaAnual: R$ 945 / US$ 645 Assinatura Mensal: R$ 85 Atendimento ao assinante Tel: (21) 3503-0303 / 98702-4237 PUBLICIDADE Paula Amorim publicidade@brasilenergia.com.br Rio de Janeiro Bianca Bandeira - (21) 99698-0274 Elia Carvalho - (21) 97918-3539 Lúcia Ribeiro - (21) 97015-4654 São Paulo Fernando Polastro - tel/fax: (11) 5081-6681 EDITORA BRASIL ENERGIA LTDA RUA CONSELHEIRO SARAIVA, 28 SALA 601 20091-030 - RIO DE JANEIRO Tel (21) 3503-0303 6 Brasil Energia , nº 466, 1 de dezembro de 2020 O futuro parece impossível até que aconteça Em 2021, já não há margem para dúvidas sobre o início da “década da ação” para combater a crise climática e transitar para uma economia sus- tentável e de baixo carbono. Sem a participação de grandes emissores co- mo Brasil, Estados Unidos, Austrália e Rússia, a Cúpula de Ação Climática virtual realizada no início de dezembro marcando os cinco anos do Acordo de Paris contou com mais de 80 líderes globais e foi palco para o anúncio de novas metas para o período. Incluindo a declaração do Reino Unido de que não financiará a produ- ção de combustíveis fósseis no exterior, além do compromisso de redução de emissões em 68% até 2030, em relação a 1990. O premiê Boris Johnson chegou a declarar que o país pode se tornar a “Arábia Saudita da energia eó- lica”, referindo-se às usinas offshore. A China reforçou a meta de ser neutra em carbono até 2060 e anunciou a previsão de chegar a 660 GW de capa- cidade eólica e 1.260 GW de solar até 2030. O Brasil estabeleceu o mesmo prazo para a neutralidade de emissões e para 2030, prevê redução de 43%. Os EUA são esperados de volta ao Acordo para o ano que vem, conforme declarações do novo presidente eleito, John Biden. A União Europeia ele- vou de 40% para 55% sua meta de redução de emissões para 2030. Obviamente os países partem de posições diferentes. Um ajuste no tra- dicional Índice de Desenvolvimento Humano realizado neste ano passou a considerar também a pegada de carbono das nações, evidenciando que nenhum país se desenvolveu sem pressionar os recursos naturais. Incluin- do o critério, a Noruega, que lidera o ranking tradicional (considerando condições de vida, educação e saúde) de 189 países, cairia 15 posições. O Brasil, que ocupa 84ª posição subiria 10 degraus com o novo componen- te ambiental. Enquanto há o argumento de que a recuperação econômica pós-pande- mia necessária para manter a qualidade de vida das populações seria uma prioridade de curto prazo e poderia demandar o sacrifício das metas de re- dução de emissões, a ONU estima que a crise climática poderia empurrar 120 milhões de pessoas para a pobreza até 2030. Isso sugere que o desen- volvimento humano e o combate a crise climática devem estar associados e não em posições antagônicas. Com uma abordagem sistêmica, incluindo a redução de desigualdades, o que também passa pelo acesso à energia limpa, barata e confiável, a trans- formação proposta na agenda 2030 parece bastante desafiadora para ser executada em dez anos. Mas o futuro só parece impossível até que aconteça. Quem esperava que uma pandemia – diga-se, profundamente ligada à crise ambiental – causa- ria 1,5 milhão de mortes e pararia o mundo em 2020? Para citar um exem- plo brasileiro no setor de energia, no PDE 2020, publicado em 2011, a fonte solar, que soma atualmente 7,3 GW em operação, sequer aparecia nas projeções. A geração distribuí- da não era nem cogitada e já supera em capacidade instalada (4,2 GW) as grandes usinas centralizadas (3,2 GW). Será que veremos o hidrogênio verde ou as baterias na matriz em 2030? Lívia Neves Editora-executiva

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