Brasil Energia | Ed. 466 - Dezembro, 2020

62 Brasil Energia , nº 466, 1 de dezembro de 2020 COMBUSTÍVEIS Norte, no estado de Tocantins des- cendo até Goiás, além de trajetos en- tre São Paulo e Mato Grosso. Alguns projetos de infraestrutu- ra logística já estão em andamento. O Porto de Itaqui (MA), que integra o cinturão portuário do Arco Norte e movimenta apenas derivados, sobre- tudo importados, vemampliando sua tancagem. A meta é passar dos atuais 370 mil m³ para 600 mil m³ de arma- zenamento nos próximos dois anos. Neste ano a Ultracargo adicionou mais 100 mil m³ em seu terminal em Itaqui e a Raízen inaugurou um novo terminal de 80mil m³.Alémdisso, es- tão previstos até 2021 leilões de qua- tro áreas greenfield e brownfield para granéis líquidos no porto com inves- timentos de R$ 500 milhões. No Sul, para atender o crescimen- to de movimentação de derivados, a Cattalini Terminais Marítimos está ampliando sua capacidade de escoa- mento de combustíveis líquidos, via modal ferroviário, no Porto de Para- naguá (PR). Serão mais 16 pontos de carrega- mento, além dos 19 atuais, que se co- nectarão à rede ferroviária adminis- trada pela concessionária Rumo, a partir do primeiro semestre de 2021. A Cattalini movimenta derivados de petróleo para a BRDistribuidora, Ipi- ranga, Raízen e tradings com alcance regional. Concluída esta ampliação, a empresa prevê nova expansão pa- ra 2024. No Programa de Parcerias de In- vestimentos do governo federal, além da ferrovia Ferrogrão e ter- minais portuários no Norte, es- tão em andamento o leilão do ter- minal de Alemoa, no Porto de San- tos (SP), que demandará R$ 1,3 bi- lhão em investimentos, e a concessão de cerca de 18.000 km de rodovias com potencial para atrair aportes de R$ 164 bilhões. PERFIL DAMOVIMENTAÇÃO DE COMBUSTÍVEIS O estudo “Corredores Logísticos Estratégicos”, publicado em setem- bro pelo Ministério de Infraestru- tura, confirma o modal rodoviário como o mais utilizado no transpor- te de combustíveis no país. Os que mais dependem do transporte ro- doviário são biodiesel, etanol e QAV com 88% do volume movimentado por caminhões. Já a gasolina e o diesel, combus- tíveis mais consumidos no merca- do nacional, têm 38% do volume transportado em caminhões, 32% em ferrovias, 22% via cabotagem e 8% em dutos. No modal ferroviário, etanol e biodiesel têm 14% e 7% dos seus volumes transportados e a re- de dutoviária, apesar de possibilitar a movimentação de maiores cargas, representa apenas 8% do transporte de combustíveis. O modal hidrovi- ário também tem importância sig- nificativa para gasolina, óleo diesel e QAV, sendo menos representativo para biodiesel e etanol. O estudo mostra que a movimen- tação de QAV, biodiesel e etanol para terminais e bases de distribuição é fei- ta principalmente por rodovias, em- bora os modais ferroviário e dutoviá- rio também sejam utilizados, emme- nor escala, nas regiões Sudeste e Sul. Na análise do IBP, considerando as longas distâncias do Brasil e meno- res custos operacionais, sobretudo na ligação com terminais e bases de dis- tribuição, os transportes por cabota- gem, hidrovia e ferrovia apresentam vantagens. “As ferrovias podem ter um papel mais importante na racio- nalização do sistema logístico. Mas o transporte rodoviário segue impres- cindível em sub-regiões, para chegar ao final da cadeia de distribuição, es- pecialmente em áreas urbanas”, lem- bra Valéria Lima. Segundo dados da ANP, para a movimentação de derivados de pe- tróleo o país possui 113 dutos de transporte totalizando 5.158 km de malha e 256 dutos para transferên- cia com 1.635 km de extensão. Para o etanol são 12 dutos de transferên- cia com 17 km e sete estruturas para transporte com 361 km ao todo. Maior empresa de movimentação de derivados do país, a Transpetro de- ve investir, de acordo como seu Plano de Negócios e Gestão (PNG) 2020- 2024, R$ 1,6 bilhão em manutenção de infraestrutura de dutos e termi- nais. A estatal opera 7.719 km de du- tos para transporte de petróleo, deri- vados e biocombustíveis, interligados a 47 terminais terrestres e aquaviários. As rotas dutoviárias para movi- mentação de combustíveis da Trans- petro operam atendendo multipro- dutos em todas as regiões do país, es- coando a produção das refinarias pa- ra as distribuidoras e a logística de cabotagem ao longo da costa. A em- presa possui capacidade de tancagem para gasolina, diesel, QAV e etanol de 2.724.757 m³, nos terminais aquaviá- rios, e de 2.259.823 m³ nos terrestres. MERCADO DE COMBUSTÍVEIS De acordo com últimos dados da ANP, a comercialização total de com- bustíveis de janeiro a outubro deste ano foi de 93,3 milhões m3, redução de 5,75% em comparação ao mesmo período de 2019. Diesel apresentou leve variação negativa de 0,67% e a gasolina teve queda maior no consu- mo de 7,9%. O desempenho do eta- nol foi ainda pior com retração de 15,2% no mesmo período.. n

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