Brasil Energia | Ed. 467 - Fevereiro, 2021
44 Brasil Energia , nº 467, 1 de fevereiro de 2021 PLD HORÁRIO COMERCIALIZAÇÃO é compatível com o cenário energético atual, sem distorções. Mas quando se compara com o pri- meiro dia do ano, fica visível que o preço dos primeiros dias foi influen- ciado pela baixa carga que é caracte- rística do período. De acordo com a CCEE, o período das 14:00 horas às 15:00 horas foi o que apresentou os valores mais eleva- dos do PLD, enquanto os intervalos da madrugada e do início da manhã regis- traram os valores mais baixos. Já duran- te o feriado de Ano Novo e o final de semana, os horários das 19:00 horas às 21:00 horas registraram os picos de pre- ço, contrapostos pelo começo do dia, entre 6:00 horas e 7:00 horas. Riscos externos Um dos temores é o do recálculo de preços ou de interferências externas que tornem o PLD horário menos con- fiável. Recentemente, uma resolução da Agência Nacional de Águas (ANA) alterou restrições de vazões do rio São Francisco, refletindo diretamente nas afluências e impactando na formação de preços. As vazões são a base da chamada Energia Natural Afluente (ENA), cujos valores são utilizados como parâmetro para o cálculo do PLD. A ANA decidiu flexibilizar restrições na bacia do Rio São Francisco, resultan- do num preço diferente do estimado pelo mercado. As mudanças foram di- vulgadas na noite de 03/12, uma quin- ta-feira, depois de feitas as projeções de preços para a semana operativa seguin- te, que seria anunciada na sexta-feira. Na prática, a decisão chegou ao co- nhecimento do mercado às 8:00 ho- ras da sexta-feira (04/12), sem tempo de permitir alterações nas previsões. A Associação Brasileira de Agentes Co- mercializadores de Energia (Abrace- el) enviou ofício à Aneel protestando contra a decisão e o BTG Pactual im- petrou recurso alegando que a Reso- lução 07/2016 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) estabe- lece um prazo de 30 dias para que no- vos novos parâmetros entrem em vi- gor em caso de mudanças. As previsões das empresas indicavam um PLD na casa dos R$ 200/MWh, mas com as novas defluências, o preço fe- chou em R$ 270/MWh. O recurso foi acatado em parte pela Aneel, suspendendo os efeitos da reso- lução da ANA na formação do PLD, mas apenas para a semana operativa entre os dias 26/12 e 02/01, e não no mês inteiro. A votação no colegiado foi apertada, por três a dois, e no debate antes da deliberação sobre o recurso, apesar de aparentes divergências, diretores cha- maram a atenção para o risco de per- da de credibilidade ao se tomar decisões que coloquem a realidade da operação dissociada do mundo comercial. “Há risco de perda de credibilidade com decisões desacopladas da realida- de do sistema”, afirma Hélvio Guerra na reunião. n
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