Brasil Energia | Ed. 467 - Fevereiro, 2021

Brasil Energia , nº 467, 1 de fevereiro de 2021 47 milhões sobre o sistema anterior. No balan- ço de efeitos negativos e positivos, as usinas do MRE teriam uma perda de R$ 1 bilhão. Segundo Gustavo Carvalho, gerente de Estudos de Mercado da Thymos, que esteve à frente do estudo, a perda com as liquidações no spot dos contratos fei- tos no mercado livre ocorrerão porque no preço horário o PLD terá um preço médio menor, mesmo podendo ter picos muito elevados ao longo do dia. É que na hora de fazer a média, vai preponde- rar o tempo de geração na madrugada, quando a demanda é baixa e o PLD de- saba. Preço médio menor, receita menor. Carvalho disse que o cálculo foi feito considerando a geração do MRE no mer- cado Sudeste, referência preço, e proje- tando para todas as usinas do MRE. Se- gundo ele, no médio prazo, e com a evo- lução do despacho por oferta de preços, as hidráulicas terão outras vantagens, in- clusive com a viabilização das reversíveis que irão aproveitar o preço baixo da ma- drugada para bombear água para o reser- vatório superior e vender essa energia ar- mazenada nos horários de pico. Já no aspecto operacional, o analis- ta disse que não é esperada grande va- riação por parte do ONS porque o mo- delo Dessem, que coordena a operação no preço horário, já vinha sendo usado na operação simulada (sombra) ao lon- go de todo o ano de 2020. Henrique Nunes, engenheiro de Pla- nejamento Energético da Cemig, tem a mesma avaliação de Carvalho em relação ao aspecto operacional, mas no aspec- to comercial ele disse que estudos feitos pela CCEE mostraram que a flexibilidade das hídricas para atendimento imediato poderá lhes render vantagens adicionais com a geração nos horários de pico. Marcos Keller, diretor de Regulação e Mercado da Engie Brasil, disse que o novo modelo de formação de preços e liquidação de contratos nomercado de curto prazo, ba- se para a definição dos preços nos contratos futuros, não apenas afetará esses contratos como vai propiciar a criação de novos produ- tos. Ele também destacou a capacidade de modulação da carga como uma vantagem das hídricas no modelo de preço horário. Para Keller, mesmo na permanência do despacho centralizado, a flexibilida- de das hídricas lhes trará vantagens. Na sua avaliação, o próprio modelo mate- mático de despacho deverá tomar na- turalmente a decisão de despachar as usinas cujo perfil da geração seja ali- nhado com o perfil da carga. “Como o preço horário tende a ser mais alto em momentos de carga mais elevada, é natural que as hidrelétricas passem a perceber um valor por sua energia ge- rada”, explicou. n Gustavo Carvalho, gerente de Estudos de Mercado da Thymos, que esteve à frente do estudo

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