Brasil Energia | Ed. 467 - Fevereiro, 2021
Brasil Energia , nº 467, 1 de fevereiro de 2021 59 No Brasil, a Petrobras inicia o ano com 20 sondas afretadas em carteira. Além da estatal, apenas a ExxonMobil mantém unidade afretada no país. A petroleira norte-americana perfura, des- de o final de janeiro, o primeiro poço exploratório da área C-M-789 (Bacia de Campos), com o navio-sonda West Sa- turn, da Seadrill. Diante disso, o cenário atual é com- pletamente diferente das projeções fei- tas para o Brasil no final de 2019, antes da nova derrubada do preço do barril e da pandemia de Covid-19. À época, a previsão era que o setor registrasse for- te crescimento das atividades e das con- tratações em 2021, com expectativa de demanda de até 35 sondas no país du- rante o período de 2022 a 2024. O antigo cenário de retomada previa que ExxonMobil, Shell, Total, BP, Equi- nor, Premier e Karoon já tivessem son- das contratadas e em operação no Bra- sil no primeiro semestre de 2021. O que se vê, no entanto, é o oposto: mesmo tendo reduzido drasticamente o volume de suas campanhas, a Petrobras segue como a maior e, com exceção da Exxon, a única contratante. O tão propagado cenário de diversificação de empresas contratantes ainda se mostra distante. As incertezas atuais que rondam o setor dizem respeito, principalmente, à saúde financeira das empresas de perfu- ração e ao cronograma das campanhas que estão por vir, fatores cruciais que di- tam o volume e o ritmo de contratação de novas unidades. Com as petroleiras ainda fazendo contas e reavaliando suas prioridades, há mais dúvidas e expectati- vas do que certezas propriamente ditas. Consultorias especializadas estimam que, atualmente, cerca de 54 sondas de águas profundas e ultraprofundas estão paradas sem contrato, sendo 24 sob regi- me cold stacked. O balanço é ainda pior se inseridas as unidades com capacidade de lâmina d’água inferior a 1,5 mil m: o indicador salta para o patamar de quase 80 sondas ociosas ao redor do mundo. Diante do estrago, empresas de per- furação lutam para conseguir sobreviver em 2021 e chegar a 2022, tendo que en- frentar processos de chapter 11, recupe- rações judiciais e extra-judiciais, e rumo- res de possíveis operações de incorpora- ções/fusões. Empresas como a Valaris se mantém, no momento, sem nenhuma sonda no Brasil, enquanto a Transocean acumula a dura estatística de ter metade da frota mundial parada sem contrato. Dezenas de sondas paradas, incerteza sobre a retomada das petroleiras e perfuradoras em dificuldades financeiras são um quadro nada animador
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