Brasil Energia | Ed. 468 - Abril, 2021

138 Brasil Energia , nº 468, 5 de abril de 2021 BIOMASSA biogás suficiente para agregar mais 7,2 GW de capacidade. A despeito do potencial de explora- ção da biomassa como fonte firme de energia renovável, a EPE tem reduzido ano após ano a projeção anual de agre- gação da fonte na matriz. No PDE 2026, a estimativa era a de 467 MW de capa- cidade nova ao ano, no de 2027 caiu para 450 MW, despencando para 150 MW no PDE 2029 até chegar aos atuais 80 MW por ano projetado para a próxi- ma década. Curto prazo Se no longo prazo há a preocupação com o impacto no planejamento seto- rial provocado pela projeção subestima- da do PDE 2030, no horizonte de curto prazo a recente solução para o imbró- glio do risco hidrológico (GSF, da sigla em inglês) pode tornar o ambiente um pouco mais atraente para o setor. Com mais de R$ 550 milhões em créditos para receber no mercado de curto prazo (MCP), para onde as usi- nas são obrigadas a liquidar o exceden- te da garantia física, a expectativa é a de que, ao se resolver definitivamen- te o impasse, o que está previsto para ocorrer no segundo semestre, o setor se sinta estimulado a gerar mais para liquidar no PDL. Para Zilmar de Souza, quando houver de fato o destravamento completo do MCP e, a depender do preço da ener- gia de curto prazo, pode ser que ainda no fim da safra deste ano algumas usi- nas resolvam aumentar os possíveis 5% a 10% de geração – normalmente com a compra de biomassa de madeira de terceiros – e assim negociar a PLD. Mas, segundo ele, o mais provável é que os efeitos positivos do fim do impasse do GSF só ocorram a partir de 2022. A dúvida de Souza é se a solução pa- ra o impasse será concluída a tempo. Segundo acompanhamento da Unica, na última liquidação na CCEE apenas 10,8% dos créditos retidos pelo impas- se do GSF (R$ 11 bilhões), para agen- tes não protegidos por liminares, foram quitados. “Mas esperamos que até ju- lho ou agosto isso se resolva”, prevê. Quanto ao preço, Souza acrescenta que a previsão da CCEE de que o PLD médio no segundo semestre, no Sudeste, seja por volta de R$ 121/MWh, pode ajudar a não tornar viáveis as operações de ge- ração adicional neste ano. Para ele, o ideal é que as gerações para o curto prazo sejam programadas, com contratos com fornecedores de ca- vacos ou de demais biomassas (cascas de arroz, pó de serraria) específicos para atender a demanda adicional. Também há a possibilidade de expandir a gera- ção com o uso de palha da cana pró- pria ou de bagaço que hoje é estocado ou comercializado como pellets (o que ocorreu com usinas que evitaram ultra- passar a garantia física). Segundo Sou- za, trata-se de mercado com grande po- tencial de ser desenvolvido, dado o se- tor gerar sempre na época seca, mais crítica. “Em 2019, por exemplo, 75%

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