Brasil Energia | Ed. 468 - Abril, 2021
Brasil Energia , nº 468, 5 de abril de 2021 61 Neste contexto de reservatórios que já não enchem, começando a gerar disputas pelo uso das suas águas, e de projetos que não saem do papel, cresce o número dos que perguntam: ainda vale a pena investir em hidrelétricas no Brasil? Qual o futuro pa- ra elas e como obter a rentabilidade com- patível com a importância delas para o SIN? AEmpresa de Pesquisa Energética (EPE), responsável pelo planejamento indicati- vo do setor elétrico no país, não somente acha que vale a pena investir, mas enten- de que elas são o “diferencial” do parque gerador brasileiro. Para a EPE, a moderni- zação do setor, especialmente a separação entre energia e lastro, vai agregar valor às hidrelétricas e viabilizar investimentos em modernização e repotenciação das usinas existentes, uma das formas de expansão do parque hídrico, sem prejuízo de algum aproveitamento novo adicional. Na essência, foi assim que responde- ram a uma série de questões propostas pela Brasil Energia o diretor Erik Eduar- do Rego e os superintendentes adjuntos Renato Haddad e Gustavo Pires da Pon- te. Segundo eles, a modernização e repo- tenciação de usinas hidrelétricas existentes pode representar um acréscimo ao siste- ma não só de energia, mas, sobretudo, de capacidade, a custos competitivos, confor- me discutido na Nota Técnica de 2019. Segundo o diretor e os superintenden- tes da EPE, para que a afirmação acima se transforme em realidade é necessário criar os produtos adequados, que tragam o de- senho do mercado de energia elétrica do Brasil para a nova realidade, acrescentan- do que, com a separação do lastro e ener- gia é possível criar diferentes produtos pa- ra o chamado lastro. A proposta da empresa é que entre os produtos que venham a ser criados com a separação entre o lastro, que é a garantia física contratual do suprimento, e a com- modity energia que venha a ser produzida, sejam criados dois tipos de lastro: o lastro associado à capacidade de potência, que é a condição que a usina tem de atender instantaneamente a uma demanda tem- porária do sistema, e o lastro associado à geração de energia em períodos acumula- dos, por exemplo, de um mês ou um ano. Segundo os técnicos da EPE, o lastro as- sociado à capacidade de potência é o me- canismo comercial que irá remunerar alter- nativas como a modernização e ampliação das usinas existentes, pois elas irão aumen- Itaipu, uma das hídricas que respondem pela demanda do Sistema Interligado Nacional
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