Brasil Energia | Ed. 469 - Junho, 2021

24 Brasil Energia , nº 469, 1 de junho de 2021 GÁS peculação, a expectativa é que essa transição seja “menos traumática do que tem sido essa longa trajetória pa- ra ter acesso a essa unidade de pro- cessamento”. Segundo ele, um “con- trato justo e adequado” – adjetivos da ANP – facilitará as tratativas com o eventual operador da unidade. Sem o acesso às UPGNs da Petro- bras, que opção resta aos produtores independentes? Construir uma UPGN seria uma delas. Foi essa a decisão da Alvopetro, em 2018, quando firmou um acordo de fornecimento de gás natural com a Bahiagás, distribuidora bahiana, que culminou nas primeiras entregas de gás em julho de 2020. “Na época, estávamos rompendo um paradigma dentro de um contexto de comercialização de gás natural ain- da muito restrito”, declararam o pre- sidente e CEO da Alvopetro, Corey Ruttan, e o diretor da petroleira no Brasil, Frederico Oliveira. A planta da Alvopetro foi construí- da pela também canadense Enerflex, o primeiro projeto do gênero da empre- sa no Brasil, sob o modelo boom (build, own, operate and maintain), que pre- vê a construção, propriedade, operação e manutenção pela Enerflex. “Na nos- sa perspectiva, este formato reduziu de forma significativa o risco do projeto e permitiu à Alvopetro preservar seus re- cursos financeiros para a conclusão das parcelas remanescentes do empreendi- mento”, contaram os executivos à Bra- sil Energia . Sobre a possibilidade prevista na Lei do Gás para compartilhamento de infra- estruturas essenciais com terceiros, Co- rey e Oliveira convidam “qualquer parte interessada a entrar em contato com a Alvopetro a respeito disso”. O futuro da petroquímica O segmento químico é o maior con- sumidor industrial de gás natural no Brasil. Além do consumo como energia, o gás pode ser usado na indústria quí- mica como matéria-prima para fabrica- ção de fertilizantes nitrogenados, meta- nol – usado na produção de biodiesel e resinas termorrígidas – e etano, que é insumo na petroquímica. Para a indústria petroquímica, que se desenvolveu no Brasil utilizando a nafta como matéria-prima, o crescimento da produção do pré-sal é uma oportunida- de para ampliar a utilização de etano. “Hoje, a Abiquim defende que o gás do pré-sal seja adequadamente separa- do em uma UPGN turbo-expansão por- que existe demanda, uma parte da ma- téria-prima etano usada pela petroquí- mica é importada, então já haveria um suprimento para ser atendido no merca- do local”, declarou a diretora de Econo- mia e Estatística da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fátima Giovanna Coviello. Para a diretora, é necessário competi- tividade, que só deve acontecer quando os atores, além da Petrobras, que explo- ram e produzem no pré-sal realizem o tratamento do gás. n

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