Brasil Energia | Ed. 469 - Junho, 2021
Brasil Energia , nº 469, 1 de junho de 2021 61 CCEE expôs dados sobre a Energia Na- tural Afluente (ENA) desde aquele dis- tante primeiro ano de medição, englo- bando o histórico do período de novem- bro a março. De acordo com as infor- mações, a água que chegou aos reser- vatórios do SIN de novembro de 2020 a março deste ano foi de 39.797 GW- med, o quarto pior desempenho da his- tória e o pior dos últimos 50 anos. Na sequência, durante a última reu- nião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) antes da chega- da da seca, ampliou-se a análise para o período histórico concentrado entre se- tembro e março. Nos sete meses anali- sados de 2020/2021, as afluências para os reservatórios do SIN foram as piores de todo o histórico das medições. Segundo o ONS, o mês de março, quando começa a transição para o perí- odo seco, foi o 17º pior da história, com uma ENA agregada ao SIN que corres- pondeu a 82% da média histórica (ou média de longo termo – MLT). Além de tantos números preocu- pantes, o histórico do Boletim Diário da Operação (BDO) do ONS mostra que no dia 1º de maio, início oficial do pe- ríodo seco, a energia armazenada nos reservatórios do SE/CO estava em ape- nas 34,67% da capacidade, a pior acu- mulação para o mesmo dia desde os 33,65% de 2015. Em relação a 1º de maio de 2020, o armazenamento também era in- ferior no Nordeste (66,68% con- tra 89,61%) e estava acima no Sul (56,35% contra 14,63%) e no Norte (82,79% contra 79,16%). Vale ressaltar que as medições que exigem maior atenção são sempre as do SE/CO e do Nordeste, por serem os sub- sistemas que concentram os principais reservatórios do país. O que preocupa as autoridades e os analistas do mercado é que o caso do período úmido que passou não é um fato isolado, mas o prolongamento de uma sequência de hidrologias ruins que vem desde o início da década pas- sada e que exige a devida adequação das premissas que movimentam o se- tor elétrico. Apesar das medidas que vêm sendo tomadas desde 2015 para a preserva- ção dos reservatórios, incluindo o acio- namento de termelétricas fora da or- dem de mérito, os resultados ainda são pouco animadores, pondo em dúvida o futuro do papel dessas hidrelétricas convencionais como a base mais dese- jável, barata e limpa, para a expansão das renováveis intermitentes. O presidente da PSR Consultoria, Luiz Barroso, entende que pela geração “a situação não é confortável, mas o Bra- sil tem elementos para acreditar que vai passar este ano sem dificuldades fí- sicas”, ressalvando que os cenários são muito dinâmicos e que, por isso, exigem monitoramento cuidadoso. O conforto, diz Barroso, vem da adição de 5 GW ao longo do ano, sendo metade
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