Brasil Energia | Ed. 469 - Junho, 2021

64 Brasil Energia , nº 469, 1 de junho de 2021 HÍDRICA Tavares também entende que o racio- namento está afastado, especialmente por causa da baixa atividade econômica. “Saiu o equivalente a uma Itaipu da car- ga”, ressalta. O gerente de Preços e Estudos de Mer- cado da Thymos Energia, Gustavo Carvalho, concorda como raciocínio de que o PLD está artificialmente achatado pelos despachos fo- ra da ordem de mérito, e diz que isso é con- sequência do modelo que comanda os des- pachos, baseado emuma série históricamui- to longa (desde 1931) que transmite um oti- mismo que já não corresponde à realidade. Segundo ele, o modelo otimista aponta para maior despacho de hídricas, mas co- mo o ONS sabe desse viés do modelo, des- pacha térmicas fora da ordem de mérito, seguindo orientação do CMSE. Os custos aumentam, mas o PLD permanece baixo porque esses despachos são pagos via ESS. Carvalho também acha que o cenário não é de racionamento, mas de “térmicas ca- ras a todo vapor”. A pressão dos usos múltiplos Barroso, das PSR, sugere que se busque, com urgência, mas criteriosamente, definir com precisão a real disponibilidade hídrica para geração de energia, de modo a per- mitir um planejamento realista. Ele ressalta que a limitação hídrica não ocorre somente por uma possível mudan- ça climática com influência negativamente sobre as vazões, mas tambémporque cada vez mais o uso múltiplo das águas reduz a disponibilidade para uso hidrelétrico - e is- so precisa ser devidamente metrificado. Hoje, há vários reservatórios que são submetidos a critérios e limites de va- zão relacionados com outros usos que não o hidrelétrico. Furnas, no rio Grande, Sobradinho e Três Marias, na bacia do rio São Francisco, são três casos clássicos. Sem desconsiderar o mérito dessas restrições, o gerente de Plane- jamento Energético da Cemig, Ivan Sérgio Carneiro, explica que, em parte, elas se tor- nam responsáveis pelo esvaziamento de ou- tros reservatórios, como os das hidrelétricas de Nova Ponte e Emborcação, responsáveis, respectivamente, por 11,13%e 10,72%da capacidade de armazenamento do SE/CO. Carneiro explica que, como esses dois reservatórios não têm nenhuma li- mitação decorrentes de outros usos pa- ra serem utilizados na geração hidrelé- trica, o ONS recorre mais a eles, permi- tindo poupar aqueles que precisam de maior volume para outros usos. Como exemplo, Nova Ponte registrava apenas 16,49% de armazenamento e Embor- cação, 21,97% no dia 17 de maio. n Hidrelétrica de Três Marias, cuja barragem tem 2.700 metros de comprimento e forma um reservatório de 21 bilhões de metros cúbicos de água

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