Brasil Energia | Ed. 470 - Agosto, 2021

106 Brasil Energia , nº 470, 1 de agosto de 2021 PETRÓLEO seria essencial para outro ponto im- portante para a viabilização do proje- to: a economicidade. Não convencional é caro? “Cada torre de fracking custa em torno de US$ 35 milhões. A viabilida- de econômica de um campo depen- de da quantidade de poços perfura- dos, que deve ser em torno de 120 ou 200 poços, sendo que cada poço cus- ta entre US$ 35-50 milhões. Além dis- so, esses poços possuem uma vida útil curta, de três a quatro anos. No ce- nário atual, é difícil se jogar nesse ris- co. E não dá nem para competir com o shale gas dos EUA, que está sendo importado a preço de banana”, expli- ca Juliano. A grande quantidade de poços per- furados também está relacionada à eco- nomicidade do projeto. “Como esses poços são perfurados ao mesmo tem- po, você consegue diluir os custos de mobilização de equipamentos no nú- mero de poços que estão sendo perfu- rados”, afirma Anabal Santos Júnior, se- cretário executivo da Abpip. Tanto Anabal quanto Márcio Félix concordam que o ideal é fazer essa ve- rificação de custo e deixar que as em- presas avaliem se querem arcar com es- ses valores. “As empresas independen- tes vão avaliar. Veja os resultados dos desinvestimentos da Petrobras. Quantas delas não estão arrematando ativos por algumas centenas de milhões de dóla- res?”, questiona Anabal. Outro argumento no qual Anabal e Márcio convergem é de que é preciso mais investimento no onshore brasileiro como um todo. “Esse modelo do shale gas/oil usa um fraturamento mais inten- so em pressão, volume, e exige uma es- cala maior, mais logística, mais equipa- mentos, coisa que o Brasil não tem hoje no onshore. O onshore no Brasil é mui- to magrinho, de um modo geral, inclu- sive no convencional, quando compara- do com os nossos vizinhos da América do Sul”, diz o ex-secretário do MME. Se não agora, quando? Voltando à pergunta feita no início da matéria, a resposta é que ainda não temos uma conclusão definitiva. O gás caminha para ser o combustível da transição, e isso poderá ser benéfico para os reservatórios de não convencionais que sejam viáveis comercialmente. Mas as questões de eco- nomicidade e de licenciamento ambiental não podem ser deixadas de lado. “Do ponto de vista operacional, não tem grandes desafios. O que a gente precisa é reunir informação, ver o que funciona, e colocar para o país esco- lher”, afirma Anabal. “A ideia do Poço Transparente é exatamente fazer com que todos os atores que discutem es- se tema se entendam sobre o assun- to e cheguem a um acordo. Se a gen- te não fizer isso, ficaremos na dúvida. Eu entendo que olhar o não convencio- nal agora é difícil. Mas, se não olharmos agora, acredito que lá na frente vai ser mais difícil ainda”, finaliza Márcio. n

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