Brasil Energia | Ed. 470 - Agosto, 2021

118 Brasil Energia , nº 470, 1 de agosto de 2021 COMERCIALIZAÇÃO e com os agentes para que as propostas sejam levadas à consulta pública. “Como sempre fizemos, vamos le- var essas propostas a público, garan- tindo que todos tenham acesso ao detalhamento e às devidas explica- ções para o conteúdo desse novo do- cumento, ampliando assim o diálogo e a transparência. Da mesma forma, daremos continuidade em nossas tra- tativas com a Aneel para que sejam abertos os processos de audiência”. A crise hídrica atual amplia a ur- gência do tema. “A situação de maio- res dificuldades hídricas que estamos vivendo requer atenção de todos nós. Até por isso, a segurança de mercado precisa ser efetiva e amplamente de- batida, de modo transparente e cons- trutivo. Isso nos deixaria preparados para eventuais rebatimentos futuros desse cenário para o mercado de cur- to prazo, bem como outras atividades do setor”, complementa Roseane. “Esse é um assunto muito relevan- te em um momento no qual o mer- cado está se sofisticando, com es- se cenário de alerta ao fundo”, afir- ma o presidente da PSR, Luiz Barro- so. Quando o mercado foi pensado, no fim dos anos 1990, planejava-se um ambiente de negociação de dife- renças milionárias de contratos en- tre agentes, que estariam em gran- de parte contratados e cujos volumes negociados seriam baixos. O mercado livre responde por um terço da carga do país e é onde se negociam cerca de R$ 2 bilhões por mês, exigindo um novo sistema de garantias. A quebra de duas comer- cializadoras – Vegas e Linkx – no iní- cio 2019, por conta de oscilações no preço da energia e falta de garantias para os contratos, um problema que levou a perdas de mais de R$ 200 mi- lhões no mercado entre fevereiro e abril, acendeu o sinal amarelo no se- tor. Mas a agenda de aperfeiçoamen- to está travada desde então. Foram feitas diversas sugestões, como a exigência de maior rigor na adesão dos agentes com requisitos como comprovação da qualificação da equipe técnica da comercializado- ra e um estudo de viabilidade de las- tro físico e financeiro. Hoje apenas se verifica o capital social de R$ 1 mi- lhão, sendo que algumas empresas abrem sem ter nenhum conhecimen- to do setor elétrico. “É um debate complexo, que en- volve diversos segmentos, e até ob- servamos como outros setores atu- am na frente de segurança, a exem- plo do mercado financeiro. No entan- to, é natural que seja necessário certo tempo para entendimento e aprovação das ideias. Agora, à medida que avan- çamos com a modernização do setor, acreditamos que teremos terreno fértil para seguirmos mais rapidamente com esse assunto”, diz Roseane Santos. No mercado brasileiro de energia elétrica, os agentes no mercado livre e, principalmente, as comercializa-

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