Brasil Energia | Ed. 470 - Agosto, 2021

90 Brasil Energia , nº 470, 1 de agosto de 2021 HÍDRICA pesquisas têm detectado cada vez mais que no horário das 18 às 21h haverá es- cassez de energia por falta de vento e de luz solar. E as hidrelétricas, nas suas diversas formas (PCH, UHE com reser- vatório ou reversíveis) são a forma mais barata de armazenamento para cobrir essa lacuna. A consultora vê espaço para o desen- volvimento de novos projetos hidrelétri- cos, desde que eles não agridam o meio ambiente e nem estejam situados em áreas protegidas. “As hidrelétricas têm resposta rápida, são relativamente bara- tas e se corresponderem a projetos me- nores, mais próximos às áreas de cargas, oferecem maior confiabilidade”. Leonti- na também defende a melhoria da ges- tão dos reservatórios. Expansão com equilíbrio Roberto D’Araújo, diretor do Institu- to Ilumina, faz coro com as críticas ao deplecionamento dos reservatórios. Se- gundo ele, será a expansão das demais renováveis que permitirá o equilíbrio da gestão dos reservatórios existentes para que as reservas não oscilem como hoje. O especialista vê espaço para a ex- pansão das UHEs com reservatórios, ressalvando que elas deverão integrar o uso para geração com os demais usos, como abastecimento humano, navegação, turismo e agricultura. Se- gundo D’Araújo, essa era a ideia do Cepel no começo deste século, que acabou não prosperando por falta de vontade política. Avaliação criteriosa Para o economista Edmar de Almeida, professor e pesquisador da PUC-Rio, dada a abundância de fontes renováveis alter- nativas que o desenvolvimento tecnológi- co está trazendo, é necessária uma avalia- ção criteriosa do potencial hídrico rema- nescente para definir os que se justificam do ponto de vista econômico e ambiental. Para serem viáveis, os projetos deve- rão atender a quatro critérios: custo es- perado da geração competitivo e com- patível com outras fontes; baixo impac- to social e ambiental; benefícios ao se- tor elétrico para além da oferta de ener- gia; e benefícios associados a outros usos da água. Os reservatórios, por serem a alternati- va de armazenamento mais barata, devem ser valorizados com um desenho de mer- cado correto, que valorize a flexibilidade. Tiago de Barros Correia, sócio dire- tor da RegE Consultoria, avalia ser pro- vável que os aproveitamentos hidrelétri- cos mais atrativos já tenham sido feitos. Ao mesmo tempo, ele entende que o desenvolvimento das redes elétricas e a expansão das fronteiras econômicas po- derão tornar mais atrativos projetos de menor viabilidade nas condições atuais. A partir dessa avaliação, Correia con- clui, em uma linha que se aproxima do pensamento da EPE expresso no PDE 2030: “Parece certo que ainda há um grande potencial de hidrelétricas a ser desenvolvido no Brasil, mas sua explo- ração ocorrerá em ritmo mais lento do que se deu no passado”. n

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