Brasil Energia | Ed. 471 - Outubro, 2021
108 Brasil Energia , nº 471, 5 de outubro de 2021 RESÍDUOS URBANOS tratamento do lixo (gate fee) complementa a contabilidade dos projetos. Para Schmitke, ter sido contratada a pri- meira usina deWTE no Brasil foi uma gran- de vitória, mas poderia ter sido melhor ca- so a contratação de necessidade de com- pra das distribuidoras não fosse tão baixa, de apenas 250 MW. “Esperávamos mais, tínhamos pelo menos 130 MW de usinas viáveis para o leilão”, disse. Para ele, é fundamental que o MME coloque a fonte nos próximos leilões, ca- so contrário não será criado uma cadeia de fornecedores de máquinas e equipa- mentos no Brasil, com nacionalização de componentes. Segundo o dirigente, com apenas 12 MW médios não é nem de longe possível criar um mercado no país. “Isso não é nada, com esse pata- mar continuaremos praticamente na es- taca zero”, disse Embora no geral mostre satisfação com a primeira usina, Schmitke diz que ape- nas com mais leilões com o produto para a fonte os demais projetos cadastrados no A-5 e outros que devem ser concebidos se- rão viabilizados. Foram cadastrados pela EPE no leilão 12 projetos de recuperação energética de resíduos, totalizando 315 MW, sendo 254 MW de projetos em São Paulo, 31 MW no Rio de Janeiro e mais 30 MW no Paraná. Os projetos são a URE Barueri, de 20 MW, em Barueri (SP); Usina Lara 2, em Ser- tãozinho (SP), de 84 MW; Usina Lara, em Mauá (SP), de 77 MW; URE Valoriza San- tos, em Santos, de 50 MW; URE Caju, no Rio, de 31 MW; Consimares, em Nova Odessa (SP), de 22,5 MW; UREs Iguaçu I, II, II, IV e V, de 25 MW no total, em Fazen- da Rio Grande (PR); e URE Vera Cruz, de 5 MW, em Vera Cruz (RN). Em termos de preços, a tarifa obti- da no projeto de Barueri, de R$ 549,40/ MWh, representou deságio de 14% so- bre o preço teto de R$ 639,00/MWh, o mais alto e considerado necessário pa- ra custear a fonte iniciante no país. Na análise do presidente da Abren, a tari- fa maior de início, subsidiada, permite a viabilização dos projetos. Com o pas- sar dos anos, com o ganho de escala, o preço passaria a cair, nos moldes do que ocorreu com a fonte eólica, que foi sub- sidiada na década passada pelo Proinfa e hoje está entre as mais baratas. Compartilha da mesma opinião Anto- nio Bolognesi, da consultoria Wteec, que está envolvida na estruturação de vários projetos de WTE no Brasil, incluindo o pro- jeto Consimares. Para ele, a necessidade do preço ele- vado da tarifa se explica em razão dos al- tos custos dos sistemas da usina de WTE, construídas com materiais de alta resistên- cia e com caro tratamento de emissões. Além do preço, para Bolognesi é funda- mental também que os volumes de con- tratação sejam maiores do que os conse- guidos com o primeiro leilão. Na sua aná- lise, seria necessário um nível de contrata- ção para a fonte na ordem de 250 MW, apenas para iniciar os investimentos no país em uma escala viável para formar uma cadeia. Mas pelo menos um primeiro pas- so foi dado. n
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