Brasil Energia | Ed. 471 - Outubro, 2021

Brasil Energia , nº 471, 5 de outubro de 2021 45 gie, a maior entre as geradoras privadas do país, propuseram que fosse definida uma compensação para as hídricas via Encargo de Deslocamento Hidráulico, em consequência das perdas involuntá- rias de MWmed que teriam. A Portaria Normativa nº 22 do MME que sacramentou o programa de RDV não incorporou as sugestões, o que não necessariamente significa que elas te- nham sido abandonadas pelos gerado- res ou desprezadas pelo governo. À Brasil Energia , a Engie informou que as medidas tomadas, certamente são necessárias, classificando-as de “im- prescindíveis”. “Nossa preocupação é a consequência no equilíbrio dos agentes do setor, princi- palmente dos agentes hidrelétricos, que são os primeiros a sofrerem com a crise hi- drológica e com os incentivos à redução do consumo. Nesse contexto, a Engie enten- de que é necessário haver um mecanismo de mitigação ou de compensação financei- ra dos geradores hidrelétricos”, diz Marcos Keller, diretor de Estratégia e Regulação da empresa. Furnas, também procurada, pre- feriu ficar fora da reportagem. No Encontro do PLD de agosto, a CCEE projetou para este ano um GSF médio de 74% para o conjunto do MRE, considerando um PLD médio de R$ 360/MWh. Nesse cenário, a diferen- ça entre a energia gerada e a garantia física total do MRE representará um im- pacto financeiro para as geradoras de R$ 56 bilhões, sendo R$ 37 bilhões no ACR e R$ 19 bilhões no ACL. Esse im- pacto médio incidirá sobre cada agente de acordo com o montante das contra- tações de cada um no MRE. No caso da Engie, Keller afirmou que a empresa já esperava um ano difícil em relação ao risco hidrológico e que, por isso, veio preparando-se em operações de hedge para enfrentá-lo. “Apesar de ser insuficiente, ameniza muito o im- pacto deste ano desafiador”. Sobre a situação operacional das hi- drelétricas da empresa, a maioria situada no subsistema Sul, o executivo explicou que elas vêm operando de forma satisfa- tória, uma vez que o armazenamento no Sul apresentava “níveis razoáveis”. No dia 1º de maio, quando começou o atual pe- ríodo seco, os reservatórios do Sul apresen- tavam armazenamento total de 56,35%, contra 34,67% no Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO). Mesmo com a avaliação positiva até agora, para Keller, as perspectivas para os próximos meses são desafiadoras. Um desses desafios decorre das carac- terísticas técnicas daquelas hidrelétricas cuja maior ou menor eficiência da gera- ção está associada à força da queda, tan- to menor quanto mais baixo for o nível do reservatório. Outro aspecto destacado pe- lo diretor da Engie é a eficiência da casca- ta, para que o conjunto de usinas de um determinado rio possa aumentar de for- ma sincronizada a geração nos momen- tos de demanda mais alta. Se os reserva-

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