Brasil Energia | Ed. 472 - Dezembro, 2021
108 Brasil Energia , nº 472, 6 de dezembro de 2021 POLÍTICA ENERGÉTICA Existem ainda outros fatores que contribuem para a importação de ferti- lizantes no Brasil, como a falta de infra- estrutura – muitas vezes causadas pelo próprio preço do gás, que acaba inviabi- lizando a construção ou a continuação operacional dessas fábricas – e o merca- do consumidor, que, num cenário ideal, deve estar localizado próximo à planta de fertilizantes. Sob a ótica da Secretaria Executiva do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o avanço na redução de assimetrias tributárias para fertilizantes nacionais e importados, a revisão regu- latória para organizar processos de re- gistros e licenças e, principalmente, a identificação de projetos para investi- mentos que sejam alinhados com as ca- racterísticas brasileiras são os principais pontos que trarão sucesso ao plano de fertilizantes e na redução da dependên- cia de importações. Reativação da química O Ministério da Agricultura citou o “avançado processo de desinvestimen- to da UFN de Três Lagoas (MS)” como uma atividade importante que poderá demonstrar as possibilidades de novos investimentos [em plantas de fertilizan- tes] no futuro. A Petrobras tenta vender a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III) desde setembro de 2017, sendo esta a segunda tentativa de de- sinvestimento. A venda da UFN III chegou a ser ne- gociada em maio de 2018 com o con- glomerado russo Acron, um dos princi- pais produtores de fertilizantes minerais na Rússia e no mundo, mas a operação não foi concluída. Na época, o desinves- timento ainda incluía a venda da Arau- cária Nitrogenados (Ansa, antiga Fafen- -PR), outra fábrica de fertilizantes. No momento, a UFN III e a Ansa estão em fase não vinculante e fase vinculante, respectivamente. Na opinião do diretor do Porto do Açu, o Brasil ainda precisa de muitas outras plantas de fertilizantes, principalmente nitrogenados, para diminuir essa depen- dência externa. “Cada planta de nitroge- nado, cada Fafen, ajuda. E tem mercado para todo mundo. Estamos falando de um risco seríssimo de desabastecimento. O Brasil é o principal consumidor mundial de fertilizantes”, alertou Braz. Contribuem para a importação de fertilizantes no Brasil, a falta de infra- estrutura e o mercado consumidor que, num cenário ideal,deve estar localizado próximo à planta de fertilizantes
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=