Brasil Energia | Ed. 472 - Dezembro, 2021
28 Brasil Energia , nº 472, 6 de dezembro de 2021 PETRÓLEO Os mega contratos de SURF da Petro- bras têm sido firmados com valor médio de US$ 1 bilhão. Em geral, os negócios envol- vem prazo total de três anos e meio, sendo cerca de oito a dez meses de fase de exe- cução offshore. Expectativa IOCs Além dos negócios da Petrobras, o Bra- sil tem pela frente outras oportunidades de SURF no curto prazo que serão colocadas por algumas das IOCS. A Shell e a TotalEner- gies devem liberar bids para os projetos de Gato do Mato e Lapa Sudoeste, respectiva- mente, possivelmente até o fim do primeiro trimestre de 2022. A Equinor tem ainda o desafio de tirar do papel o megaprojeto do BM-C-33, na Bacia de Campos, e Bacalhau 2, que, muito possivel- mente, deve ser executado pela Subsea 7. Há toda uma expectativa também junto às petroleiras de médio e menor porte que ad- quiram projetos no programa de desinvesti- mento da Petrobras. Ainda que o volume de trabalho seja infinitamentemenor, certamente essas companhias irão ao mercado para con- tratar campanhas de SURF. A estratégia da Petrobras de se antecipar ao aquecimento do mercado pode impor difi- culdades às IOCS e às médias petroleiras. Exis- te a percepção de que, a partir de 2022, os preços começarão a subir e a disponibilidade de barcos não será algo tão simples quanto foi até o momento. Diante de tantas campanhas e da deman- da por tantos barcos simultaneamente no Bra- sil, há quem diga que no fim das contas have- rá necessariamente uma acomodação de cro- nograma de campanhas. Embora o aquecimento do mercado venha sendo comemorado pelas empresas de serviço, aquestãodo financiamento temsido vista como um ponto de preocupação extra. Com a Petro- bras adotandoapolíticade fluxode caixanegati- vo e diante claro indicativo demigração dos fun- dos de investimentos para projetos de energia renováveis em função do movimento de transi- ção energética, será preciso buscar um novo ar- ranjo econômico para os novos negócios. “As empresas de serviço absorveram es- sa estratégia, mas estão chegando ao seu limite. A capacidade financeira mesmo dos grandes grupos está se esgotando e isso in- dependente da área de atuação”, afirma uma fonte do setor. Futuro X transição Apesar da pressão sobre a aceleração da transição energética, executivos apostam que o reaquecimento do mercado de SURF no Brasil se manterá estável pela próxima década. Não havendo queda brusca do pre- ço do barril do petróleo, a aposta é de que as contratações sigam em alta alavancadas por novos projetos. Parte da aposta do mercado se volta ao su- cesso exploratório de novas áreas como Sergi- pe, Aram, na Bacia de Santos, e até mesmo a Margem Equatorial, apesar da dificuldade de licenciamento enfrentada até o momento. No que diz respeito ao movimento do mer- cado fora do Brasil, recentemente, a ExxonMo- bil fechou contrato com a TechnipFMC para fornecimento do sistema subsea do próximo projeto no campo de Payara, na Guiana. A pe- troleira norte-americana também lançou bid para a contratação de serviço de SURF voltado ao ativo de Yellow Tail. n
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