Brasil Energia | Ed. 473 - Fevereiro, 2022
114 Brasil Energia , nº 473, 1 de fevereiro de 2022 HÍDRICA Restrições prosseguem Embora o aumento das afluências se- ja generalizado nas principais bacias hi- drográficas do país, exceto nas da região Sul, a ANA só mudou a chave, por en- quanto, na bacia do São Francisco. No caso do rio Grande, que vem receben- do afluências elevadas desde outubro, a agência explicou que no dia 11 de janei- ro os reservatórios de Furnas e de Mas- carenhas de Moraes estavam, respecti- vamente, com 41,97% e 45,20% dos seus volumes úteis, justificando a per- manência das restrições estabelecidas no Plano de Contingência. Resumidamente, o Plano estabele- ce que a defluência média máxima dos dois reservatórios no período úmido se- rá de 300 m³/s, com tolerância de 5% para mais ou menos. Essas restrições só deverão ser suspensas quando o arma- zenamento ultrapassar 70%. Para Ser- ra da Mesa, no Tocantins, o objetivo é manter a defluência em 100 m³/s, per- mitindo o máximo de aproveitamento das afluências ao reservatório que, inau- gurado em 1998, nunca alcançou 80% de armazenamento. No caso de Itumbiara e de Embor- cação, no Paranaíba, o Plano da ANA estabelece que a primeira deverá ope- rar com vazão defluente máxima de 490 m³/s até que o reservatório atinja o nível de 508,11m, passando então a ser de 794 m³/s. Para Emborcação, a receita é limitar a defluência a 140 m³/s, com tolerância de 15%. No dia 13, Emborcação acumulava 28,12% de volume e Itumbiara, 35,46% (nível de 506,95m). Vale lembrar que o regime de chuvas até meados de janeiro foi mais robusto do que o esperado, mas dentro do perío- do em que os meteorologistas avaliavam que efetivamente seria mais chuvoso. Com La Niña atuando no Pacífico Equa- torial, a expectativa era de menos chuvas no Sudeste/Centro-Oeste (SE/CO) a par- tir da segunda quinzena de janeiro. A torcida, porque o regime de chu- vas tem sua dose de acaso, é para que a redução seja a necessária para per- mitir a mitigação dos desastres nas áreas ribeirinhas, mas que não venha com intensidade tal que interrompa o processo de recuperação dos reserva- tórios em curso. n José Maciel Nunes de Oliveira, presidente da CBHSF: “O São Francisco não é um canal de água para geração de energia. É um ecossistema”
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