Brasil Energia | Ed. 473 - Fevereiro, 2022

56 Brasil Energia , nº 473, 1 de fevereiro de 2022 EÓLICA tos que seguem para o forno da cimen- teira Apodi, em Quixeré (CE), a 260 km da planta da Aeris em Pecém, no mes- mo estado. A solução, segundo Lolli, apesar do custo logístico, se mostrou a melhor. A cimenteira não cobra para receber os resíduos, que têm alto poder calorífico, substituindo parte do combustível fóssil de coque de petróleo. Além disso, co- mo resultado da queima do composto a 1700 graus Celsius, gera-se sílica, com- ponente do clínquer do cimento. Ou se- ja, o composto contido nas pás é total- mente coprocessado no forno. A vantagem do forno de cimento é ser preparado para receber resídu- os, com sistema de filtragem e lava- gem dos gases que evita a emissão de gases tóxicos formados na queima das resinas. Isso tudo faz o coproces- samento de resíduos em fornos de ci- mento ser uma possível solução para as pás que nos próximos anos preci- sarão ser descartadas no Brasil, na vi- são do diretor da Aeris. Já muito consolidada no país, no tratamento de vários tipos de resídu- os (incluindo a maior parte dos pneus inservíveis), e possível de ser reali- zada em várias cimenteiras, a única evolução que o coprocessamento em fornos precisa ter para atender a de- manda eólica em específico, explica Lolli, seria a etapa de trituração ante- rior das pás. No momento, segundo ele, a Aeris pesquisa maneiras mais viáveis economicamente de triturar. Isso ajudaria no futuro para tornar a solução, principalmente no aspecto logístico, possível para parques eó- licos localizados em regiões remotas enviarem as pás trituradas para for- nos de cimentos espalhados no país. A destinação das rebarbas para ci- menteiras substitui a outra solução, que seria o descarte em aterro, com a vantagem de destruir o passivo am- biental e aproveitar o seu potencial energético nos fornos. Como resíduo inerte, porém, as pás podem ser tri- turadas e enviadas para os aterros sem risco de contaminação e neces- sidade de cuidados no manuseio, co- mo se faz hoje no mercado europeu, mais maduro e com vários parques em descomissionamento. Lolli afirma, aliás, que a Europa, com volume muito grande de pás em des- montagem que seguem para os ater- ros, está trabalhando em várias frentes de pesquisa para desenvolver melhores tecnologias para descarte e até possíveis reciclagens. Segundo ele, daqui a uns dez anos, quando o Brasil começar a ter um grande volume de pás para descar- tar, a tendência é haver novas soluções para reciclagem, o que deve ser absor- vido pelo Brasil. “A Aeris enxerga nessa demanda futura uma oportunidade de negócios para levar essas soluções aos empreendedores”, diz. Na Europa, há duas frentes prin- cipais de pesquisa. A primeira é para conseguir recuperar os materiais atu- almente empregados e a segunda, pa-

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