Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022

36 Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 HÍDRICA dos caminhos para que se pudesse ele- var a capacidade instalada em hidrelé- tricas do país sem necessidade de cons- trução de novas usinas, contornando o poderoso obstáculo das restrições so- cioambientais que tem sido a principal origem das dificuldades para o aprovei- tamento do potencial hidrelétrico ainda inexplorado. O estudo relacionava, com base em números de dezembro de 2018, 51 hi- drelétricas com potência superior a 100 MW, totalizando 49.973 MW, todas com mais de 25 anos de operação e que ainda não haviam passado por proces- sos de modernização, como alvo princi- pal desse esforço voltado para o ganho de eficiência. De acordo com o estudo da EPE, so- mente com a modernização seria pos- sível um ganho de energia firme da or- dem de 440 MWmed e um ganho de energia média da ordem de 520 MW- med, mais do que uma UHE Nova Pon- te, que tem 510 MW de capacidade ins- talada. As simulações mostraram ainda uma perspectiva de redução de apro- ximadamente 6% nas necessidades de investimentos em outras alternativas. Como o Brasil vive um ciclo acelera- do de investimentos em outras fontes renováveis, em razão tanto da necessi- dade de redução das emissões de gases do efeito estufa pelo setor como tam- bém da vertical queda dos preços das gerações eólica e solar, a questão é sa- ber se os recentes anúncios de investi- mentos em modernização de hidrelétri- cas indicam que também esteja come- çando mais firmemente esse esperado ciclo de investimentos no parque hídrico existente. Com base nas conclusões do recém- -divulgado PDE 2031, os técnicos da EPE Renata Nogueira Francisco de Car- valho, assessora da diretoria de Estudos de Energia Elétrica, e Thiago Ivanoski Teixeira, superintendente de Projetos de Geração, projetam a entrada em opera- ção de ampliação de hidrelétricas para suprimento a partir de 2026. Como os estudos que servem de ba- se para os PDEs são dinâmicos e renova- dos anualmente, os técnicos entendem que esse prazo incluído no documento referente a 2031 ainda é possível, mas acrescentam que será necessário muito trabalho para concretizá-lo. Um dos motivos para dúvidas, se- gundo eles, é o fato de as avaliações da EPE terem sido feitas com base em da- dos secundários. Em decorrência disso, os técnicos admitem que os concessio- nários das usinas possam ter melhores informações sobre seus ativos e sobre as possibilidades comerciais de serem fei- tos os investimentos. Feita a ressalva, a equipe da EPE acredita que a idade média das usi- nas apontadas como passíveis de mo- dernização está alcançando números elevados, resultando cada vez mais em desgaste, perda de rendimento e, às vezes, em períodos maiores de indisponibilidade operacional. Dessa constatação, Carvalho e Teixeira con-

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