Brasil Energia | Ed. 474 - Abril, 2022
56 Brasil Energia , nº 474, 13 de abril de 2022 HÍDRICA luentes. O PDE 2031, no seu cená- rio de referência, inclui, além da UTN Angra 3, em construção, mais 1.000 MW em geração nuclear. O peso sobre as hidrelétricas No capítulo das questões socio- ambientais, subtema das mudanças climáticas, o box 10-4 aponta que a principal questão a enfrentar pelo se- tor energético brasileiro, em decor- rência das mudanças climáticas, está relacionada às “incertezas quanto à disponibilidade hídrica futura”. O texto diz que “embora ainda ha- ja imprecisões e limitações dos mo- delos de projeção climática, há con- clusões concretas de que ocorre uma mudança nos padrões de temperatu- ra”, citando o Painel Intergoverna- mental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) como fonte. Essa mudança traria “prováveis refle- xos nas precipitações”, com consequên- cias sobre as vazões dos cursos d’água, aos quais se somariam outras duas variáveis: o aumento dos diversos usos da água, com previsão de demanda crescente, e mudan- ças no uso e cobertura do solo. Mesmo com a ressalva de que o nível de disponibilidade hídrica pode afetar diversas fontes energéticas – por exem- plo, em outro trecho o PDE 2031 ma- nifesta preocupação com a disponibili- dade de água para resfriamento de ter- melétricas, dependendo de onde elas sejam instaladas –, o documento ava- lia que, dada a configuração do SEB, é possível afirmar que o maior impacto será sobre as hidrelétricas. Ainda que não haja ferramentas para que se possa calcular com nível razoável de confiabilidade a magni- tude das mudanças nas vazões nos próximos dez anos, o documento considera fundamental que o plane- jamento analise as repercussões pos- síveis, de modo a garantir seguran- ça ao sistema. Daí porque uma das questões mais enfatizadas no capí- tulo da geração elétrica é a neces- sidade de aprimoramento dos mo- delos computacionais que tratam da representação hídrica. Outro sinal claro da preocupação com as mudanças climáticas e com o aspecto mais amplo das questões socioambien- tais é que, embora apresente pelo me- nos oito possíveis novas UHEs com base no modelo de decisão de investimento (MDI), o cenário de referência do PDE 2031 projeta apenas uma nova hidrelé- trica ainda não iniciada para o final do ciclo de dez anos, a UHE Bem Querer, de 650 MW, em Roraima. O “despertar” do PDE para as mu- danças climáticas coloca o planejamen- to energético brasileiro em linha com as preocupações crescentes que vêm ocu- pando as análises de especialistas acre- ditados do próprio SEB. Na sua edição de janeiro deste ano, o Energy Report, da PSR, trata em pro- fundidade do tema, entendendo que uma maior atenção aos efeitos dessas mudanças é uma das três questões a
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