Brasil Energia | Ed. 475 - Junho, 2022
28 Brasil Energia , nº 475, 15 de junho de 2022 INDÚSTRIA dos parques eólicos e também com sua ex- periência e tecnologias para construção de unidades flutuantes e para bases fixas por concretagem para os aerogeradores. Segundo o vice-presidente de enge- nharia da Aker Solutions, Leandro Arceu, mesmo no Brasil, onde o mercado de fa- to ainda não começou, a empresa já tem muito o que aproveitar de seu know-how do mercado de óleo e gás, onde atua há quase 30 anos no país a partir de unida- de produtiva em São José dos Pinhais (PR). De acordo com Arceu, a capacitação envolve os equipamentos que recebem e distribuem a energia gerada, desde cabe- amento subsea, subestações, transforma- dores, conexões de alta tensão, enfim to- da rede de distribuição submarina para o destino onshore ou offshore. Apesar disso, ressalta, investimentos e desenvolvimentos serão necessários ainda para adaptar e oferecer cabeamentos mais robustos, capazes de armazenar potências e tensões maiores e sistemas de conexão ca- pazes de absorver as altas tensões com se- gurança. Isso por conta das grandezas dos parques eólicos offshore, sempre superiores a 500MWde potência instalada, comaero- geradores que já chegam a 15 MW. No exterior, a Aker está fornecendo, por exemplo, 11 estruturas flutuantes para ae- rogeradores de 8 MW de um parque eóli- co offshore da Equinor no Mar do Norte da Noruega. Será o primeiro parque flutuante do mundo, com 88 MW de potência total instalada, que atenderá a demanda por ele- tricidade de plataformas de óleo e gás. Tra- ta-se do parque Hywind Tampen. Além disso, revela Arceu, a empre- sa tem contrato de fornecimento para o projeto East Anglia Three, de 1,4 GW, no Mar do Norte, na costa leste da Ingla- terra. A Aker Solutions foi selecionada a participar de consórcio com a alemã Sie- mens para projeto e entrega de duas es- tações conversoras HVDC (corrente con- tínua de alta tensão) planejadas para co- nectar o parque eólico offshore. No Brasil, Arceu afirma que a empresa está atenta aos movimentos do mercado, esperando a regulação ficar pronta, mas afirma que já há conversas com clien- tes para mostrar as soluções disponíveis. Nesse ponto, segundo ele, a maior con- tribuição será na distribuição da energia eólica offshore, considerada, na sua opi- nião, o maior gargalo do Brasil. “É nisso que estamos investindo: co- mo ter soluções e produtos capacitados para distribuir, trabalhando para desen- volver a melhor infraestrutura e rede subsea para garantir a transmissão do ponto A para o B”, explicou. Curva de aprendizado Mesmo já com parte da capacitação ne- cessária para a nova fonte, por conta do de- senvolvimento local da exploração offshore, a análise de alguns especialistas é a de que o Brasil ainda precisará passar por uma cur- va de aprendizado para consolidar a cadeia produtiva da eólica offshore. Tem essa opinião o engenheiro Wagner Victer, ex-secretário estadual de energia do Rio de Janeiro e ex-con- selheiro do CNPE. Para ele, seria ne-
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