Brasil Energia | Ed. 475 - Junho, 2022
44 Brasil Energia , nº 475, 15 de junho de 2022 TRANSMISSÃO me potencial em desenvolvimento na re- gião Nordeste nas próximas décadas. “Saímos de um planejamento reati- vo para um planejamento proativo”, ex- plica Erik Rego, diretor de estudos de energia elétrica da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Paralelamente, o MME lançou porta- ria, em 2020, demandando atualização dos critérios adotados nos estudos de planejamento da transmissão, cuja ver- são utilizada data de 2002. O novo do- cumento deve ser publicado no primei- ro semestre de 2023. Desafios da expansão Foram vários os desafios que leva- ram a uma guinada no planejamento. Além da maior quantidade de gera- ção intermitente, houve também um descasamento entre prazos de cons- trução de linhas e de unidades gera- doras, com incertezas na localização e no início das operações de novos empreendimentos no mercado livre. “Desde 2015 a EPE vem mudando o planejamento, e até agora tem dado certo”, avalia Martha Rosa Carvalho, coordenadora e gerente de projetos da consultoria PSR na área de estudos de transmissão, distribuição e energia. Transmissão é o setor mais regulado na cadeia da indústria elétrica. Neste am- biente, uma nova linha tem que passar por várias etapas, desde o projeto de en- genharia até o início de operação, num processo que leva de cinco a sete anos. Dentro desse prazo, são quase três anos de projetos, incluindo aprovação em cin- co diferentes órgãos reguladores e de controle do governo. Somente após a li- beração destes órgãos o leilão é marcado, com todos os prazos legais de divulgação das regras, editais, depósito de garantias etc. Uma vez arrematada a linha, o prazo médio para construção é de três anos. Até meados da segunda década des- te século, o planejamento reativo fun- cionava bem, já que o processo para se construir usinas hidrelétricas ou as gran- des térmicas levava mais ou menos o mesmo tempo: em torno de cinco anos. Mas as usinas eólicas, com três anos de medição de vento e projeto pronto, levam no máximo dois anos e meio pa- ra serem construídas, enquanto as sola- res, que necessitam de apenas um ano de medição da irradiação solar, estão de pé em menos de um ano. Com isso, a possibilidade de a usina ficar pronta e não ter conexão ao SIN aumentou. Se o processo decisório de construir linhas for tomado após a contratação das usi- nas geradoras, seria um risco enorme para os empreendedores e para o pa- ís. Foi o que aconteceu em dezembro de 2013, quando, segundo relatório do TCU, 48 usinas eólicas encontravam-se prontas, mas isoladas por falta de linhas de transmissão para conectá-las ao SIN. Segundo o próprio TCU, este atra- so causou aos consumidores um prejuí- zo de R$ 929 milhões entre junho 2012 e dezembro 2013, pois a energia não gerada foi reposta por outra fonte mais cara, como a termoelétrica.
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