Brasil Energia | Ed. 475 - Junho, 2022

64 Brasil Energia , nº 475, 15 de junho de 2022 GÁS Além disso, o motor a combustão de um carro que funciona a gasolina ou diesel não pode ser utilizado para rodar com bioGNL. Aliás, nem mesmo um veículo a gás pode usar o bioG- NL como combustível, uma vez que as tecnologias são diferentes. “Hoje nós temos no Brasil uma frota de 2,5 mi- lhões de carros a gás, que represen- tam 2% da frota total. Esses 2,5 mi- lhões de carros podem usar tanto o gás natural quanto o biometano, mas não poderiam usar o GNL, por conta da armazenagem e da alimentação. O tanque de GNL não é o mesmo tanque de gás natural ou biometano compri- mido, e não é o mesmo tanque de ga- solina ou de diesel”, explicou Gabriel. Por isso que, na visão de Andrea Thomé van der Togt, gerente de ma- rketing de GNL e bioGNL da Shell – que, em fevereiro deste ano, come- çou a abastecer veículos na Holanda com um blend de bioGNL – é preci- so de um esforço conjunto para que uma mudança dessa magnitude pos- sa acontecer. “Tem que impactar a le- gislação, tem que fazer uma pressão muito forte para favorecer leis e/ou subsídios para as pessoas e os clientes que vão adotar essa tecnologia nova; tem que trabalhar junto com os forne- cedores, com os fabricantes de cami- nhões, por exemplo, que precisam ter essa segurança de que a companhia vai abrir novos postos; e de procurar clientes pioneiros, que querem mos- trar que são fortes nessa questão da sustentabilidade. É uma abordagem setorial, e não ações individuais”, ex- plicou a executiva à reportagem. Na Europa, Andrea afirma que o nú- mero de postos que fornecem GNL sal- tou de 170 em 2018 para 530 até o mo- mento, e que a Shell possui a ambição de possuir 70 postos (ante os 48 atu- ais) ainda neste ano. “Em comparação aos postos de diesel, é um número pe- queno. Mas a velocidade de crescimen- to é impactante”, completou a gerente. Além da Europa, a companhia também pretende investir no mercado de GNL e bioGNL chinês e estadunidense na pró- xima década, sendo o Brasil uma possi- bilidade. “Há pouco tempo o time da Raízen veio aqui [na Holanda], e nós fi- camos ‘trocando figurinha’. Até o mo- mento, a Raízen não produz combus- tível feito a partir do biometano, mas quem sabe isso não pode ser um pas- so?”, afirmou. Outra empresa que também já es- tá de olho no bioGNL é a New Fortress Energy, que desenvolveu a primeira uni- dade biometano liquefeito no Brasil, em São Paulo. O projeto, que é ligado a um aterro sanitário, coleta o biogás produ- zido pelas bactérias anaeróbias do lo- cal, que segue para uma planta de tra- tamento, onde é processado para o bio- metano. A NFE, então, é responsável pelo processo de liquefação da molécu- la, disponibilizando uma capacidade su- perior a 15 mil m³/dia. “Essa é uma iniciativa inovadora e disruptiva, que une diferentes pontos

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