Brasil Energia | Ed. 475 - Junho, 2022
74 Brasil Energia , nº 475, 15 de junho de 2022 MERCADO LIVRE 42 comercializadores varejistas. Há ou- tros 17 agentes desse tipo em processo de habilitação. Marcelo Loureiro explica que, com relação a um número ideal, o próprio mercado fará essa adequação naturalmente. “O que precisamos asse- gurar, como organização, é que esses agentes tenham a segurança jurídica e critérios claros para poderem atuar”. Rodrigo, por sua vez, vê ametade cheia do copo: “tem 40 comercializadores vare- jistas antes de termos o mercado. No mo- mento que existir, eles surgirão. Sem con- tar que, ao contrário do que ocorre na te- lefonia, que tem três grandes operadoras, a gente projeta que na comercialização de energia elétrica vão ser muitos – inclu- sive com a participação das distribuidoras que terão interesse em reter seus clientes. Praticamente várias comercializadoras pu- ro-sangue já se habilitaram na CCEE antes desse mercado existir.” Também aposta na tecnologia e na digitalização para oti- mizar a equação. “A digitalização vai ser fundamental para o mercado do varejo, pois não tem mais o gerente para atender cada cliente, não temmais uma célula pa- ra atender 20 clientes, vai ser via internet, app. As comercializadoras estão investin- do em estruturas digitalizadas para admi- nistrar esse negócio com potencial de mi- lhões de consumidores”. Segundo a Aneel, cada comercializa- dora vai ter liberdade para criar os seus produtos, mas alguns deles deverão ser comuns a todos e terão que ser compa- ráveis. Nada diferente do que existe lá fora. Na Inglaterra, por exemplo, há si- tes que são acreditados pelo regulador local. Isso é importante que tenha aqui também, pois é um avanço. Sobre o preço que a energia vai ter para o consumidor final, há uma unanimidade que ele será menor que o cobrado no mer- cado cativo. Com as devidas oscilações, fala-se, com otimismo, em uma tarifa até 30% menor. Marcelo Loureiro explica que a possibilidade de economia dessa ordem “é uma estimativa do mercado, mas esse percentual tem uma série de variáveis, a começar pela tarifa de cada estado e a pró- pria dinâmica de negociação no ambiente de contratação livre. O ACL tem seus riscos e o mercado atacadista mais ainda, o con- sumidor precisa estar ciente disso e contar com conhecimento especializado. Nesse contexto, a escolha de um comercializador varejista será fundamental”. O mercado de varejo será mais um ni- cho no largo portfólio da comercialização. Há os que atendem o consumidor final, outros que fazem negócios entre elas co- mo hedge; os que estruturam fundos para comercializar projetos greenfield; os que desenvolvem projetos próprios de gera- ção de renováveis para vender para outras comercializadoras ou consumidores. Tem também as comercializadoras que atuam mais em gestão do que propriamente na venda. “São vários nichos de mercado e o varejo vai ser um deles. Eu acredito que várias [comercializadoras] vão querer per- manecer em sua área de atuação. Quere- mos ummercado de varejo, mas o merca- do de atacado continua a existir”, explica o dirigente da Abraceel. n
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