Brasil Energia | Ed. 476 - Agosto, 2022

30 Brasil Energia , nº 476, 1 de agosto de 2022 HÍDRICA retomadas. Segundo a empresa, a con- tinuidade foi viabilizada por um financia- mento de R$ 100 milhões do banco BTG, mais recursos próprios e mais supliers cre- dits de fornecedores de equipamentos. As UGs, por exemplo, foram fornecidas pela Andritz (turbinas) e a Weg (geradores). Também contribuíram para a retoma- da das obras as vendas de energia pela UHE nos leilões A-6 de 2019 e A-4 de 2021, ambos para entregas no mercado regulado a partir de 2025. Os negócios, envolvendo a maior parte da GF da usi- na, injetaram confiança para que o em- preendimento fosse adiante. Segundo informações da Nova Enge- vix, com a retomada, as obras da barra- gem foram concluídas em 9 de feverei- ro deste ano. São Roque é uma usina de reservatório e sua conclusão vem sendo considerada pelas autoridades do setor elétrico como de grande importância para o controle da cascata do rio Cano- as, um dos formadores do rio Uruguai, tanto em termos de geração hidrelétrica como de controle de cheias. A barragem possui 67,75 metros de altura e o reservatório conta com volume útil de 459 milhões de m 3 , sendo 796 na cota máxima e 337 na cota mínima. O enchimento do reser- vatório foi aprovado no final de abril. A área total da usina é de 62 km 2 e a barragem foi erguida em concreto compactado a rolo. Cada um dos três geradores forneci- dos pela Weg pesa 285 toneladas e cerca de oito metros de diâmetro. A Nova En- gevix Construções e Montagens, contro- lada da holding Nova Participações S.A., foi a executora das obras civis. O acionis- ta controlador é José Antunes Sobrinho. A obra como um todo demandou inves- timentos de R$ 1,1 bilhão. Mercado livre na frente De julho de 2022 até dezembro de 2024 a energia gerada pela UHE São Roque será totalmente destinada ao mercado livre, uma vez que os contra- tos assinados no ACR são para entrega a partir de janeiro de 2025. Quando su- as três UGs estiverem operando, a UHE São Roque terá capacidade para abaste- cer cerca de 400 mil residências. A folga de dois anos e meio para a comercialização livre da energia deverá trazer fôlego ao empreendedor para fa- zer frente tanto aos compromissos assu- midos para a conclusão das obras quan- to os anteriores à paralisação do proje- to. Segundo o BNDES, seus créditos com a São Roque seguem em negociação. O banco não forneceu dados atuais sobre a dívida, mas no final de agosto de 2020 ela somava R$ 530 milhões. Em abril deste ano a São Roque con- seguiu que a Aneel anulasse o pedido de caducidade da sua concessão feito pela área técnica da agência antes da retomada das obras. Seguem em tra- mitação no órgão regulador processos envolvendo o passado da concessão, como a tentativa da empresa de rever o prazo dessa concessão, tendo como parâmetro o leilão A-6 de 2019. n

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