Brasil Energia | Ed. 476 - Agosto, 2022
Brasil Energia , nº 476, 1 de agosto de 2022 49 estejam de acordo com suas ambiciosas metas climáticas” – não à toa, em novem- bro de 2020, a Wintershall havia anuncia- do metas para alcançar a neutralidade de carbono em suas atividades upstream até 2030 e de reduzir a intensidade de meta- no de sua produção total de gás natural em 0,1% até 2025. Na época do anúncio, a companhia possuía participação em nove concessões no país, sendo três na Bacia de Campos (C-M-845, C-M-821 e C-M-823), três na Bacia Potiguar (POT-M-865, POT-M-857 e POT-M-863), duas em Santos (S-M-766 e S-M-764) e uma no Ceará (CE-M-601). Dessas nove, quatro eram operadas pe- la alemã: as três da Bacia Potiguar (todas com 70% de participação) e o bloco no Ceará (100% de participação). A Wintershall ainda consta como par- ticipante do consórcio de oito dessas con- cessões (tendo em vista que o bloco CE- -M-601 foi devolvido pela companhia à ANP em janeiro deste ano), mas já anun- ciou que firmou um acordo com a Che- vron e a Repsol para que estas adquiram a sua participação nos blocos de Campos e Santos. O processo já foi aprovado pelo Cade, mas ainda depende do aval da ANP. Ao citar a sua saída do país e as “metas climáticas”, aWintershall levanta a bandei- ra de ser uma empresa focada na transi- ção energética. Com a pressão dos inves- tidores com a agenda ambiental, as dis- cussões em torno da implantação do ESG [Ambiental, Social e Governança, em por- tuguês] nas empresas e até mesmo a com- binação de empresas tradicionais do ramo offshore visando a produção de infraestru- turas para energias renováveis – como é o caso da Keppel Offshore e da Sembcorp Marine, recentemente comunicado ao Ca- de – é possível que essa decisão da Winter- shall seja utilizada como exemplo por ou- tras empresas no país? Em resumo, a resposta é não, segundo as fontes consultadas pela Brasil Energia . Na análise de Ricardo Bedregal, Diretor- -Executivo e Head de Upstream das Regi- ões de América Latina e América do Norte da S&P Global Commodity Insights, a de- cisão da Wintershall foi estratégica, com o objetivo de tornar o seu portfólio mais efi- ciente. “Foi um movimento meio brusco, mas também uma tomada de decisão do board da companhia. Eles avaliam, segun- do os seus reports de estratégia, quais são os ativos mais fáceis de sair e, no caso do Brasil, são os projetos exploratórios, porque quase todos eles possuem um compromis- so baixo de capex e, neste caso específico, áreas de alto risco e com potencial, em te- oria, mais para óleo, que não é o foco da companhia”, explicou o especialista. Além do Brasil, a Wintershall também anunciou a sua saída de projetos peque- nos de óleo convencional na Argentina, ainda em fase inicial, mas manteve a sua posição em um ativo de óleo no México. Na visão de Ricardo, a decisão de continu- ar no México está relacionada ao fato de o projeto ser rentável e eficiente, mas ele alerta para outras questões que podem estar por trás disso. “É bom acompanhar de perto para entender os motivos de não ter saído do México. O vetor financeiro, os
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