Brasil Energia | Ed. 477 - Setembro, 2022
24 Brasil Energia , nº 477, 20 de setembro de 2022 ENTREVISTA ROBERTO ARDENGHY é uma legislação adequada. Ela é rigorosa o sufi- ciente e as empresas não têm nenhuma dificulda- de em cumprir os requisitos da lei. O que a gente apenas pede e reivindica é que esses processos se- jam realizados num prazo mais aceitável do ponto de vista do negócio, porque isso é importante pra planejar o futuro. A gente tem que ter uma se- gurança, não em termos da aceitação do licencia- mento, mas em questão do timing . Há também a questão da racionalização. Nós achamos que há espaço, por exemplo, para com- partilhamento das estruturas de resposta ambien- tal, como ocorre no Mar do Norte e no Golfo do México. Ao fazer isso não apenas os custos serão reduzidos, mas também a própria pegada am- biental. Em vez de você manter 50 barcos andan- do pelo litoral brasileiro, pra responder às emer- gências ambientais, você terá um número menor, mas nem por isso menos eficiente. Então, esse ti- po de coisa que a gente conversa com as autori- dades brasileiras, mostrando as características da nossa indústria, mas não temos nenhum proble- ma em seguir rigorosamente o que determina o processo de licenciamento que há no Brasil. A pandemia acelerou o processo de transição energética. Em seguida, veio a Guerra da Ucrânia, que impulsionou novamente petróleo no mercado internacional e evidenciou os custos econômicos e sociais da transição. Recentemente, o governo de Joe Biden aprovou o maior pacote climático da his- tória.Você acredita que o novo cenário geopolítico vai frear ou acelerar o processo de transição? Co- mo o IBP está vendo essa relação entre segurança climática e segurança energética? Eu acho que tem dois momentos. O momen- to a curto prazo, num cenário de dois, três anos, vai reduzir a velocidade, porque, evidentemente, quando chegar o próximo inverno no hemisfério norte e começar a esfriar no continente europeu e americano, vamos ver o movimento das pes- soas buscando a energia em fontes não tradicio- nais, mesmo que não sejam renováveis. A gente já está vendo isso. A Alemanha atrasando a de- cisão de tirar do grid as usinas nucleares, a volta, de certa maneira, da produção de carvão em al- guns mercados europeus. Então, isso aí vai acon- tecer naturalmente, mas é um mero gap , um mero momento em que se atende uma emer- gência. O fato é que vamos apressar a transição energética mais na frente ou no momento que passarmos por esse momento inicial de, vamos dizer, estupefação e preocupação. Acho que o próprio setor de óleo e gás, saindo um pouco da nossa visão tradicional, pensa um pouco “fora da casinha”. Vou te dar três exem- plos. Geotermia, uma área interessante, pouco foi conhecida ainda no Brasil, a eólica offshore e o hidrogênio. Nesses três segmentos o setor de óleo e gás é superespecialista. As empresas de petróleo produzem hidrogênio há 150 anos, só que é o hidrogênio marrom feito a partir de fonte fóssil. Mas, depois que você quebra a molécula, não tem ninguém que conheça mais o hidrogê- nio do que as petroleiras. A eólica offshore é, pra nós, o “feijão com ar- roz”. A gente sabe muito bem como instalar uma plataforma, como ancorá-la, quando é o regime de vento, como que são as marés, as ondas e por aí vai. E a geotermia, por sua vez, é perfuração. Quem perfura pra encontrar petróleo, perfura pra encontrar água quente. Aliás, várias vezes que vo- cê procurou petróleo já encontrou água quente em território brasileiro e em outros lugares. Então, o setor de óleo e gás temuma enorme possibilida- de de cooperar nisso aí. A transição energética passará pelo setor de óleo e gás, seja na descarbonização, na maior eficiência energética, seja na questão das novas tecnologias. n
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