Brasil Energia | Ed. 477 - Setembro, 2022
32 Brasil Energia , nº 477, 20 de setembro de 2022 HIDROGÊNIO Produzir amônia azul a partir da produção de fósseis com captura de carbono é outra rota tecnológica te energética no Plano Decenal de Expan- são de Energia 2031 (PDE 2031). A EPE vislumbra a possibilidade de o hidrogênio funcionar como um regulador da oferta de energia renovável no Brasil. O hidrogê- nio poderia, nesse caso, ser usado como energético limpo e armazenável. Na visão da EPE, em momentos de produção de energia renovável excedente, seria possí- vel destinar parte da eletricidade para a produção do hidrogênio. Em períodos de escassez de energia, esse hidrogênio po- deria ser utilizado. Com esse energético, haveria uma maior flexibilidade no siste- ma elétrico brasileiro, segundo a EPE. A EPE apontou, entretanto, que exis- te a possibilidade de a eletrólise da água, considerada uma atividade ele- trointensiva, promover uma concorrên- cia pelos recursos renováveis para pro- dução de eletricidade entre a futura in- dústria do hidrogênio verde e o Sistema Interligado Nacional (SIN) - o que deve impulsionar ainda mais a expansão das fontes eólica e fotovoltaica. Outra iniciativa foi a apresentação em março, pelo senador Jean Paul Prattes (PT- -RN), de projeto de lei visando a inserção do hidrogênio na matriz energética brasi- leira. Apelidado de ‘Lei do Hidrogênio’, o projeto pretende servir como um indutor de formação de mercado, ao estabelecer percentuais de adição de hidrogênio nos gasodutos do país. O texto prevê a adição mínima de 5% de hidrogênio na rede de gasodutos nacionais até 2032, e de 10%, até 2050, devendo ser o gás transportado do tipo hidrogênio sustentável (verde) em pelo menos 60% no primeiro período e 80% do total no segundo. Há ainda o financiamento lançado em julho pelo BNDES, para apoiar empreendi- mentos de produção ou utilização de hidro- gênio verde, bem como iniciativas de de- senvolvimento tecnológico. O valor máxi- mo é de R$ 300 milhões, com taxa de juros equivalente à TLP sem remunerações adicio- nais, considerando o blend de recursos do Fundo Clima (cuja taxa é de 1% a.a. fixo, adicionadas à remuneração do BNDES) com o Finem, cuja taxa é de TLP ou Selic, adicio- nadas às remunerações do banco. Viabilidade econômica O questionamento que se faz, em meio a um grande entusiasmo com a nova e disruptiva alternativa energética que contagia governos, órgãos do setor elétrico e empresas, é se o hidrogênio verde já desfruta da viabilidade econô- mica que permita a viabilização de pro- jetos. De acordo com estimativas do se- tor energético, o hidrogênio cinza, pro-
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