Brasil Energia | Ed. 477 - Setembro, 2022

52 Brasil Energia , nº 477, 20 de setembro de 2022 SOLAR A se guiar pelo ritmo de in- vestimentos que tem re- gistrado nos últimos anos, e em particular no previsto para 2022, a fonte solar fotovoltaica ca- minha para ser a segunda maior da ma- triz brasileira muito em breve, perdendo apenas para a tradicional hidrelétrica. A provável nova conquista de colo- cação no ranking nacional deve acon- tecer menos de um ano depois de a fonte ultrapassar as termelétricas a gás natural e a biomassa em julho de 2022, quando chegou ao terceiro lu- gar. No fechamento desta edição da Brasil Energia , a solar contava com 18,7 GW de potência instalada, sendo 12,7 GW de geração distribuída e 6,0 GW de geração centralizada. Embora a eólica esteja ainda na fren- te, pelos dados do início de setembro, com 22,4 GW, o ritmo de cada uma das duas fontes renováveis segue diferente, com evidente vantagem para a solar, o que se faz crer na ultrapassagem entre o fim de 2022 e o início de 2023. Pelo acompanhamento de entrada em operação de nova geração, feito pela Aneel, só de usinas solares fotovoltaicas de grande porte, as centralizadas, mais 2,3 GW têm alta probabilidade de serem energizadas no segundo semestre. Na geração distribuída, que já adicio- nou mais de 3,5 GW nos oito primeiros meses do ano, a previsão é ainda mais animadora, por conta do tradicional aquecimento de mercado do segundo semestre. Embora não exista um mape- amento completo do segmento, na pre- visão da Associação Brasileira de Gera- ção Distribuída (ABGD) no mínimo mais 4 GW devem ser acrescentados em mini e microusinas até o fim de 2022. Com a nova capacidade, prevista pela Aneel e pela projeção da ABGD, a fonte atingiria 25,0 GW até o fim do ano, enquanto a eólica, também de acordo com o acompanhamento da agência, que identifica 1,7 GW em projetos com alta viabilidade de entra- da em operação no segundo semestre, chegaria a 24,2 GW. A probabilidade de a solar tomar o lugar da eólica é confirmada também pela Absolar. Segundo seu presiden- te executivo, Rodrigo Sauaia, proje- ção similar para 2022 tinha sido divul- gada pela associação já no começo do ano, com a estimativa de inserção de 3,1 GW de geração centralizada e mais 7,6 GW de geração distribuída, o que elevaria a capacidade instalada da fon- te para 24,9 GW, uma alta de 91,7% sobre 2021. Desse total, a estimativa envolve 7,8 GW de geração centraliza- da (aumento de 67,8%) e 17,1 GW de distribuída (mais 105%). Mas, de acordo com Sauaia, para es- se acréscimo de geração se concretizar no segundo semestre as condições mi- cro e macroeconômicas, como câmbio, inflação e acesso ao crédito não po- dem oscilar muito. Para ele, estes as- pectos impactam a decisão dos consu- midores de implantarem sistemas pró- prios e também têm força para atrasar

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