Brasil Energia | Ed. 477 - Setembro, 2022
60 Brasil Energia , nº 477, 20 de setembro de 2022 ENTREVISTA RODRIGO RIBEIRO E TELMO GHIORZI econômico. A crise de fertilizantes é um pequeno exemplo que faz uma diferença enorme para um país como o nosso. E como anda o ritmo da atividade? TG - Acho que podia ter idomais rápido, sobre- tudo quando a gente olha para a Guiana e vê que lá tem dois FPSOs em operação, mais três no pre- lo é a mesma área geológica que a nossa Margem Equatorial e está perfurando mais poços explorató- rios que o Brasil. OBrasil está há 70 anos na área de petróleo e a Guiana começou faz cinco anos, mas parece que andou mais rápido que a gente. Até achoque quandooBrasil pegar embalo, vai colocar a Guiana no bolso, vai ter uma interlocução com a Guiana e até de exportar bens e serviços porque é perto. Mas estamos demorando um pouquinho. Qual é a maior bandeira da Abespetro? RR - A maior bandeira da Abespetro é o vo- lume de atividades do segmento, porque é isso que acaba materializando tudo que a gente es- tá conversando aqui. Se tivermos volume de ati- vidade, vamos gerar emprego, desenvolvimento econômico, exportação e produzir tecnologia. TG - Volume de atividades significa novas áreas, mais velocidade no desenvolvimento das áreas já concedidas e tornar os leilões mais atraentes ainda, previsíveis e regulares, de um jeito tal que o capital de fora se sinta atraído. O Repetro é umdos instru- mentos que estimulam o aumento de volume de atividade, assimcomo os leilões commenos bônus, abrir novas áreas e outras iniciativas. A Abespetro tem planos de atrair a in- dústria de renováveis? TG - Dificilmente a gente entraria no merca- do hidrelétrico. É muito longe. Mas e etanol? Tem algumas semelhanças. Capturar CO2 do etanol para injetar no reservatório de petróleo, que resultaria em redução líquida de CO2 é uma coisa que faz sentido. Eólica offshore faz sentido para a gente. Carvão não faz sentido. Que avaliação o sr. faz hoje do cenário de negócios do país e do risco Brasil? RR - Agente conquistoumuitoe a indústria evo- luiu muito com tudo que passou, como a questão da quebra do operador único, da Lei das Estatais e a garantia do Repetro até 2040. Isso está permitin- do a gente continuar desenvolvendo a indústria co- mo temos feito nos últimos anos. Uma das grandes bandeiras que temos hoje é fazer comque esse en- tendimento estratégico da indústria para a sobera- nia do país e para a segurança energética atinja os tomadores de decisão em todas as suas instâncias e que a gente não tenha retrocesso. O que seriam retrocessos na avaliação da Abespetro? RR - Quebra de continuidade dos leilões plu- rianuais, a rediscussão da abertura do mercado e qualquer discussão que possa ameaçar a continui- dade e a ampliação do Repetro, que está garanti- do até 2040. São temas caríssimos para a indústria. TG - Os últimos anos, com pandemia e tudo, foram turbulentos, mas o Brasil mostrou que está robusto, que consegue evitar mudanças indese- jáveis e absorver as inevitáveis, sem alterar o ru- mo. As coisas estão indo bem. No fim das contas, teve algum esperneio, alguma turbulência, mas está tudo certo e mesmo para o investidor que olha de fora a visão é essa. O Brasil tem turbulên- cia, tem confusão, como qualquer país do mun- do tem. A maior democracia do mundo, os EUA, teve, a Inglaterra tem, e a Alemanha tem. Só que passamos bastante bem por essa turbulência, in- clusive pela pandemia. No final das contas, foi um processo didático. O Brasil é bemmais robusto do que a gente pensava.
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