Brasil Energia | Ed. 477 - Setembro, 2022
62 Brasil Energia , nº 477, 20 de setembro de 2022 ENTREVISTA RODRIGO RIBEIRO E TELMO GHIORZI A indústria fornecedora passou por anos de aperto por conta da crise, Covid emais re- centemente a guerra da Ucrânia, sendo que agora alguns segmentos começam a regis- trar alta. Este novo cenário é sustentável? RR - A narrativa do processo é essa, mas tem um ponto fundamental para a indústria fornece- dora, que é a questão do faseamento e o timing. A nossa indústria é comprometida com proje- tos de longo prazo e, quando você vê a melhora acontecendo provocada pelo aumento do preço do barril, há que se considerar que ainda há uma defasagem na cadeia de fornecedores. No geral, todos os nossos associados estão aindamuito afe- tados pela fase anterior, porque não se desliga os contratos imediatamente. É muito bom sorrir pa- ra o futuro, mas não podemos esquecer do pas- sado e do presente. O presente ainda é deman- dante para boa parte dos nossos associados. Não dá para dizer que a página está virada. As ques- tões que hoje afetam a indústria, como os efeitos covid, a questão geopolítica e os impactos da in- flação, precisam ser olhadas adequadamente pe- las empresas petroleiras nesse momento, com um olhar customizado e rápido para que a segurança de fornecimento esteja assegurada. A Abepestro chegou a colocar para a Petrobras sua preocupação em relação ao impacto do custo Covid para as empresas fornecedoras. O sr. acredita em acordos ou acha que vai prevalecer a judicialização? RR - A indústria está de parabéns pela forma como reagiu à questão do Covid. A gente focou naquilo que é core para essa indústria, que é a se- gurança dos nossos times e, por conseguinte, das nossas operações. O papel da Abespetro nesse contexto é de atuar como facilitador. A gente não fala e nãodiscute pelas empresas,mas a gente atua mostrando que esse ainda é um problema a ser re- solvido e todos os impactos que podem vir se essa questão não for endereçada adequadamente. A Abespetro elaborou um caderno às vés- peras de uma eleição. Uma mudança de go- verno pode alterar os planos? RR - Confiamos muito que o Brasil é um pa- ís maduro com relação à procura daquilo que é melhor para o seu povo e é um país que não tem condições de desdenhar de uma das ilhas de excelência que possui. Acreditamos que o fato de termos eleição esse ano e estarmos com esse trabalho é uma grande oportunidade de dialogar e de demonstrar o quão importante é a nossa indústria para a população e para a so- berania nacional. A Abespetro pretende propor encon- tros com os candidatos à Presidência da República e ao Governo do Rio? RR - Temos procurado nos comunicar de ma- neira ativa comas equipes e, potencialmente, com os candidatos. O fornecedor é o grande indutor da materialização da indústria. Dessa quantidade de emprego a ser gerado, as petroleiras devem ser responsáveis por cerca de 10%. Os outros 90% estão nas mãos das companhias de prestação de serviço e de fabricação de equipamentos, que são, na grande maioria, associados da Abespetro. Como a Abespetro viu a aprovação do projeto de lei que autoriza a transferência de recursos antes destinados à P&D para renovação da frota de caminhões? TG - A gente olhou para aquilo achando que não fosse prosperar, pois era um desvio de finali- dade, digamos, exagerado. Não fazia muito sen- tido, embora a medida provisória não obrigue as petroleiras mudar a destinação. A política de PD&I é um instrumento altamente complexo, sofistica-
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