Brasil Energia | Ed. 477 - Setembro, 2022
76 Brasil Energia , nº 477, 20 de setembro de 2022 TECNOLOGIA O Brasil vai inaugurar a safrados primeiros projetos com trata- mento de gás natural integral no offshore, dispensando as- sim, pela primeira vez, a demanda atrelada por investimentos em UPGNs em terra. Em iniciativas inéditas, Petrobras e Equinor irão tratar, nos próprios FPSOs, todo o gás pro- duzido nos projetos de Sergipe Águas Pro- fundas e de Pão de Açúcar, enviando para a costa o gás já especificado. Baseado emumconceito inovador no pa- ís, osdoisprojetospermitirãoqueaPetrobras, em Sergipe, e a Equinor, em Pão de Açúcar, consigam produzir, processar e especificar o gás nas unidades de produção direto para a venda. Sob esse formato, as duas petroleiras reduzirão o capex de seus projetos e grande parte da complexidade da fase de execução/ implantação, além de assegurarem simplifi- cação da logística na fase de operação. Conduzidas de forma isolada, as du- as iniciativas abrirão uma nova frente no segmento de produção de gás no país, atraindo ainda mais os holofotes para os dois projetos. Vistos como marcos, os novos sistemas assegurarão volumes ex- pressivos de gás ao mercado e, de que- bra, ainda marcarão a implantação de dois novos polos de produção no offsho- re, um em águas ultraprofundas da Ba- cia de Campos, a 2,9 mil metros de lâmi- na d´água e a cerca de 200 km da costa, e outro em águas profundas de Sergipe. Juntos, os dois projetos terão capaci- dade de disponibilizar ao mercado um vo- lume total de até 34 milhões de m 3 /dia de gás tratado. Desse total, até 18 milhões m 3 /dia de gás poderão ser disponibiliza- dos pelo projeto de Sergipe Águas Pro- fundas, quando os dois módulos de pro- dução do sistema estiverem em operação, cabendo os outros 16 milhões de m 3 /dia de gás ao sistema de Pão de Açúcar. Para colocar o gás na malha já especi- ficado, Petrobras e Equinor terão que ga- rantir um gás sem as frações mais pesa- das, o mais seco possível, já sem contami- nantes. As duas companhias enviarão pa- ra a costa apenas os gases C1 e C2 (meta- no e etano), já especificados para consu- mo de indústrias e residências, enquanto C3 e C3+ (propano, butano e gases mais líquidos) serão reinjetados e utilizados na geração de energia para os FPSOs. No caso do projeto de Sergipe Águas Profundas, o diretor de Desenvolvimento da Produção da Petrobras, João Henrique Rittershaussen, destacou que a decisão por fazer o tratamento do gás no FPSO trouxe melhor resultado econômico ao projeto. Além da questão econômica, o modelo permite também assegurar maior velocidade de implantação do sistema. No projeto de Sergipe, a Petrobras adotará a metodologia de refrigeração mecânica. O mecanismo utilizará um fluido refrigerante para resfriar o gás e assim tirar as frações mais pesadas. O sistema prevê a injeção de monoe- tilenoglicol tanto na cabeça dos poços, que produzem gás, quanto no equipa- mento de topside dos FPSOs, o wapo, responsável por controlar a umidade do gás. A pressão de operação do sistema de separação em Sergipe será de 13 BAR. As frações mais leves serão exporta- das para uma estação de recebimento,
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