Brasil Energia | Ed. 478 - Dezembro, 2022

24 Brasil Energia , nº 478, 1 de dezembro de 2022 Telmo Ghiorzi O Japão é o país de maior ECI desde 1995. Na- quele ano, Coreia do Sul, Noruega e Brasil ocupa- vam posições próximas, todos acima da China. Des- de então, a Coreia do Sul passou da posição 21 pa- ra a 4, e a China, saltando de 46 para 17, superou a Noruega, que caiu de 24 para 37, e o Brasil, que caiu de 25 para 60. É notável o caso da Venezuela, que caiu de 62 para 125. As tendências observadas na figura refletem o que se observa na evolução do PIB e outros indica- dores sociais e econômicos destes países. De fato, as evidências mostram que o ECI tem mais poder de explicar e prever mudanças na dinâmica econômica do que os indicadores educacionais e de robustez institucional de economias nacionais. O caso do Brasil e, em particular, de sua indús- tria de petróleo, suscita algumas reflexões. O país tem ECI baixo e com tendência de queda. Isso de- corre de sua excessiva concentração em produção de produtos de baixo PCI, como commodities agrí- colas, minérios e petróleo. Contudo, o país tem indicadores positivos no se- tor petrolífero. A trajetória do setor mostra exten- siva criação e incorporação de conhecimento. Para muito além de petróleo, o país tem capacidade de produzir equipamentos complexos e que são produ- zidos em poucos outros países, todos com alto ECI. Isto parece apontar, embora não haja estudo espe- cífico a esse respeito, para um valor alto do que po- de ser chamado de ECI setorial da indústria brasi- leira de petróleo. Os desafios do Brasil tornam-se a cada dia mais bem compreendidos e com soluções mais claras. Resta-nos formular e adotar estratégias consistentes com essa compreensão. Os sinais apontam para que se busque trajetória em que nossas commodities, entre elas o pe- tróleo, sejam usadas como alavanca para o contínuo acúmulo de conhecimento nas indústrias associadas a estes produtos primários. O país passaria assim a ser produtor de bens e serviços de alto PCI, promovendo aumento do ECI e, por conseguinte, pavimentando de- senvolvimento econômico rápido e perene. Em 1995, o Brasil ocupava posição acima da China. Desde então, a China saltou de 46 para 17 e o Brasil caiu de 25 para 60

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