Brasil Energia | Ed. 478 - Dezembro, 2022
Brasil Energia , nº 478, 1 de dezembro de 2022 49 Victor Venâncio Victor Venâncio, engenheiro de Produção / Mecatrônico com M.Sc e MBA pela FGV e Esade Business School, é head de Transformação Digital LatAm da IHM Stefanini. Escreve na Brasil Energia a cada dois meses. ASSET PERFORMANCE MANAGEMENT: TANGIBILIZANDO A TRANSFORMAÇÃO DIGITAL NA ÁREA INDUSTRIAL As operações das empresas das áreas de energia, pe- tróleo e gás possuem um considerável volume de ativos envolvidos. Estes ativos são os equipamentos industriais de processo, válvulas críticas, sistemas de automação, tur- binas, compressores, separadores, colunas de destilação, tanques e etc, presentes no up, mid e downstream de toda organização do setor. Os movimentos de M&A, desinvestimento, parcerias e a obsolescência de sistemas típicos da era da indústria 3.0 existentes nas empresas, complementam o cenário e com- plicam ainda mais a gestão da performance de ativos, na medida que dados históricos podem se perder. As organi- zações devem superar esses desafios e utilizar os dados estrategicamente para monitoramento remoto, manuten- ção prescritiva, melhoria contínua da eficiência (energéti- ca e operacional) e aumento da confiabilidade dos ativos. Os sistemas deAsset Performance Management (APM) compreendem várias ferramentas digitais que geram diag- nóstico e análise detalhada dos ativos nas operações de empresas, coletando e monitorando os dados, e fornecen- do uma visão holística da condição de operação e perfor- mance de todos ativos industriais em perspectiva histórica e em tempo real, impactando diretamente o resultado fi- nanceiro da organização. Propicia uma melhor gestão dos ciclos de manutenção, estratégias de análise de ciclos de vida de equipamentos, da análise de riscos, permitindo agilidade na tomada de decisões e trazendo oportunidades de geração de vanta- gens competitivas sustentáveis através do back office (ati- vos industriais) das organizações. Uma pesquisa recente publicada pela Forrester, indica que estas tecnologias digitais utilizadas nos sistemas de APM, reduzem de 5 a 10% a probabilidade de paradas de produção não programadas e de 6 a 10% as paradas re- queridas para efetuar as manutenções programadas. Outro resultado da pesquisa foi a extensão do ciclo de manutenção dos ativos em 10 a 26 semanas, gerando economia substancial com peças de reposição e alocação de mão de obra. Algumas externalidades surgem, como a redução do número de visitas de técnicos e engenheiros ao campo (up, mid e downstream) e, com o uso de tecnologias di- gitais integradas aos APM’s, como por exemplo, a reali- dade virtual, aumentada ou mista, o digital twin, as re- des de sensores IoT / IioT em edge computing com os dados sendo armazenados diretamente nas nuvens, ace- leramos os resultados operacionais e financeiros das or- ganizações através do uso de algoritmos de inteligência artificial e machine learning. Toda empresa de energia, óleo e gás possui iniciativas de ESG. Os dados históricos e em tempo real dos sistemas APM, integrado às tecnologias digitais emergentes da in- dústria 4.0, têm o poder de colaborar com o atingimento das metas estipuladas pelos ODS (Objetivos de Desenvol- vimento Sustentáveis). No E do ESG, colabora com as metas de descarboni- zação nos escopos 1, 2 e 3, reduzindo viagens desneces- sárias de funcionários e prestadores de serviços, o con- sumo de recursos naturais através do uso desnecessário de peças e componentes dos equipamentos e na própria produção e geração de energia, reduzem as emissões de GEE na medida que aumentam a eficiência operacional dos equipamentos, possibilitam identificar oportunidades de melhorias contínuas, reduzindo emissões de particu- lados, ou desperdício de água, por exemplo, entre outras diversas oportunidades em relação ao S e ao G do ESG, como a segurança e bem estar dos funcionários, garantia de integridade dos dados, e como ferramenta para toma- da de decisões estratégicas melhores e mais rápidas por parte dos C-levels. Por isso, gosto de dizer que os sistemas APM tan- gibilizam a transformação digital nos ativos industriais das organizações. É onde as tecnologias se deparam com a realidade da indústria e podem, efetivamente, gerar valor compartilhado. E sua empresa já utiliza um sistema APM, seus siste- mas estão extraindo valor dos dados ou somente manten- do as variáveis de processo sobre controle operacional?
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