Brasil Energia | Ed. 478 - Dezembro, 2022

Brasil Energia , nº 478, 1 de dezembro de 2022 53 Nordeste e Centro-Oeste, possibilitando flexibilidade para a decisão estratégica de expansão da geração prevista. Integração e viabilização das fontes intermitentes Entretanto, para que tudo possa acontecer, é necessário que sejam ob- servadas uma série de condicionantes que passam por vários questionamen- tos: desde a obsolescência de parte da rede, aporte de novas tecnologias, sus- tentabilidade. Enfim, desafios e mais desafios. Sem contar que, com o crescimento das fontes intermitentes na matriz elé- trica, a rede de transmissão tem um pa- pel importantíssimo na integração e via- bilização dessas fontes, mesmo porque elas geralmente estão concentradas em uma região. Nesse contexto, segundo Martha Rosa Carvalho, gerente de Es- tudos de Transmissão e Distribuição da consultoria PSR, “a rede de transmissão, além do objetivo de integração, tem os objetivos de otimizar a operação do par- que gerador e a expansão do sistema deve evitar gargalos e sobrecargas nos circuitos e possibilitar que recursos de geração mais baratos sejam utilizados”. Essa integração, segundo Martha, envolve a América Latina. Ela lembra que o Brasil tem sua integração com a Argentina, Uruguai – além da binacio- nal Itaipu com o Paraguai - que ajuda- ram bastante na importação de energia em momentos de escassez. Em contra- partida o Brasil, em situações normais de operação, é capaz de exportar ener- gia para esses países. “Acredito que a criação de um mercado de energia uni- ficado, como na União Europeia, é um desafio a ser perseguido”, afirma. Internamente, entretanto, Martha chama a atenção sobre o fato de que a expansão da transmissão está atrelada à de renováveis no Nordeste. “A EPE tem feito seu papel na tentativa da coorde- nação da expansão de geração e trans- missão. É um desafio coordenar siste- mas que são implementados em tem- pos diferentes. Por exemplo, enquanto usinas eólicas e solares ficam prontas para a operação em três anos e dese- jam atender o mercado livre, o ativo de transmissão tem um ciclo de pelo me- nos oito anos para ser planejado, lici- tado, construído e colocado em opera- ção. Considerando a previsão de entra- da de novas usinas que demandam por rede de transmissão, temos hoje esse pi- peline de expansão de transmissão. Te- mos que pensar que a rede de transmis- são de fato hoje é um recurso escasso e verificar qual a melhor forma de utilizá- -la”, alerta. Outro desafio citado pela gerente da PSR está entre nós: “a grande difusão da GD trouxe um protagonismo para as redes de distribuição, que antes eram passivas e vêm se tornando elementos cada vez mais ativos. Para o sistema de transmissão é importante entender co- mo se dará essa integração na frontei- ra do sistema de transmissão e distribui- ção. Entretanto, a rede de transmissão

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