Brasil Energia | Ed. 478 - Dezembro, 2022

90 Brasil Energia , nº 478, 1 de dezembro de 2022 BIOENERGIA exportam têm uma vantagem compe- titiva fantástica”. Ele explica que a ge- ração de energia, embora seja normal- mente 10% do faturamento da usina, chega a 40% do lucro. “Com açúcar e etanol eu ganho 60%. Os outros 40% vêm da energia. Sem contar que as usi- nas que estão exportando hoje pode- riam praticamente dobrar a capacidade instalada que já têm só com a moderni- zação dos seus equipamentos. Essa mo- dernização está voltada à eletrificação das moendas, por exemplo”. Ele explica que tem muita usina que exporta energia, mas ainda usa vapor para a turbina fazer girar a moenda. Es- sa é uma solução implantada há 20, 30 anos, mas que é barata e funciona bem. “Sem contar que turbina é um equipa- mento que, pode-se dizer, não acaba nunca. Então se esse produtor eletrifi- casse a moenda, melhorasse outros pro- cessos de produção, fizesse o uso de pa- lha na proporção adequada com o ba- gaço, poderia produzir mais energia elé- trica e até dobrar a produção de ener- gia”, afirma. “E não se faz isso por falta de capex e capacidade de endividamen- to”, explica. Segundo Newton os usineiros fica- ram muito endividados em 2015, em decorrência da política da então presi- dente Dilma que forçou uma baixa nos preços do etanol, atrelados aos valores artificialmente comprimidos dos deriva- dos de petróleo. Quando o governo te- ve que soltar os preços desses insumos, isso gerou uma inflação de 10,67% na- quele ano, além de enormes prejuízos para o setor de energia, petróleo e su- croalcooleiro. Nesses últimos três anos, entretanto, os usineiros voltaram a ga- nhar dinheiro. A implantação desses processos per- mitiria a duplicação da capacidade com as usinas que temos hoje. O fator Renovabio Para crescer ainda mais o bolo da bioeletricidade Newton afirma que, por consequência, o Renovabio – política de Estado que reconhece o papel estratégi- co de todos os biocombustíveis (etanol, biodiesel, biometano, bioquerosene, se- gunda geração, entre outros) na matriz energética – poderia acrescentar mais 7 GW de geração. Newton raciocina que, pelos funda- mentos do programa, a indústria sucro- alcooleira vai sair de 30 para 50 bilhões de litros de etanol até 2030. “Para pro- Única

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