Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023
Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 33 POR SABRINA LORENZI S e por um lado o dólar subiu e as novas diretrizes mais estatizantes da Petrobras preocupam investi- dores, a guerra na Ucrânia e novas regras para uso de bunker, por outro, tornam a atividade de refino mais atraente, especial- mente no Brasil, que possui petróleo adequa- do para atender às novas especificidades. Po- rém, as pequenas refinarias possuem menos versatilidade em relação às grandes, o que pode dificultar alguns projetos diante de ex- pressivas mudanças de cenário. Veja a seguir trechos das respostas da diretora da EPE, Heloísa Borges. O que mudou no cenário e poderia ser atu- alizado em novo estudo para a viabilidade de mini refinarias? O refino de petróleo é um setor dinâmico, fortemente influenciado pela escala do empre- endimento. Refinarias de pequeno porte, em geral, apresentam poucas unidades associadas aos processos de conversão e de tratamento de produtos. Por isso, possuem menos versati- lidade quanto à escolha de petróleos. Nos últi- mos anos, dois aspectos foram relevantes pa- ra o setor de refino. Em 2020, entrou em vigor a nova especificação do bunker marítimo, por determinação da Internacional Maritime Orga- nization (IMO), reduzindo o teor máximo de enxofre permitido para 0,5%. Uma vez que o petróleo brasileiro é, em grande parte, carac- terizado por apresentar baixo teor de enxo- fre, o seu processamento para a produção de bunker, para mercado nacional ou estrangeiro, se tornou uma oportunidade comercial. O estudo anterior falava em uma taxa de câm- bio de 3,70, mas o dólar se valorizou muito mais. O que pode compensar o dólar alto num projeto de refino nos dias atuais? O câmbio mais elevado aumenta o inves- timento inicial na refinaria, uma vez que usu- almente os módulos de refinarias de peque- no porte são importados, e há desdobramen- tos tributários relacionados à importação que também incrementam o capex dos projetos. Políticas públicas direcionadas ao investimen- to no setor e condições de financiamento do empreendimento podem contribuir para a promoção desses projetos. Por outro lado, o cenário geopolítico atual indica um aumento das margens de refino em função da redução dos estoques globais de combustíveis, princi- palmente óleo diesel, reflexos do conflito na Ucrânia. A cenarização acerca da permanên- cia de margens futuras elevadas pode afetar a decisão de investimentos. Qual o potencial do mercado de refino? A re- gião Nordeste tem enfrentado redução da produ- ção e aumento da demanda, por exemplo. O mercado brasileiro de combustíveis se- gue crescendo. Esse crescimento do merca- do interno, bem como a oportunidade de ser um exportador de bunker de baixo teor de enxofre sinalizam potencial para investi- mento em refino. O Caderno de Abasteci- mento de Derivados de Petróleo do Plano Decenal de Expansão de Energia 2032 (PDE 2032) projeta um aumento na demanda dos principais derivados de petróleo de 372 mil m³/dia em 2022 para 427 mil m³/dia em 2032, com o óleo diesel sendo o principal responsável por este incremento. n
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