Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023

72 Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 BIOGÁS tentes nos estados em seis setores (pe- cuária; abatedouros; fecularias; sucro- alcooleiro; cervejas, laticínios e alimen- tos; e resíduos sólidos urbanos e lodos de esgoto), obter os coeficientes mé- dios de geração de empregos de cada estado. E os “achados” da pesquisa fo- ram animadores. Feito para o projeto GEF pela empre- sa de pesquisas econômicas Minerdel, de Buenos Aires, Argentina, o estudo con- cluiu que, na região Sul, a média de ge- ração é de 1,48 empregos (diretos, indi- retos e induzidos) por terajoule equiva- lente (TJ). O desempenho do biogás está acima de quase todas as outras fontes de energia, para as quais foram utilizados na comparação dados obtidos na litera- tura científica: caso do setor de petróleo e gás (0,005/TJ), hidrelétricas (0,12/TJ) e de eólicas (0,2 empregos/TJ). A única fonte com maior capacidade de gerar empregos seria a solar, cujo co- eficiente seria de 1,7 empregos por TJ, na referência bibliográfica utilizada pelos pesquisadores. Mas, para o especialista em políticas nacionais do GEF Biogás Bra- sil, Tiago Quintela Giuliani, a comparação com a solar pode ser relativizada. Isso ao se analisar os dados obtidos de forma se- parada, pelos seis setores avaliados e pe- las peculiaridades de cada estado. Nestes casos, seria possível entender que em várias situações a capacidade de geração de empregos do biogás su- pera a solar. Como exemplos principais, o estudo identificou que os coeficientes médios do Paraná e de Santa Catarina para o biogás são superiores ao da fon- te solar, com 2,19 empregos/TJ e 2,21 empregos/TJ, respectivamente. Além disso, explica Giuliani, é impor- tante considerar ainda que as fontes solar e eólica, as que hoje mais atraem investi- mentos, geram empregos não diretamen- te no local, mas em fábricas que estão a quilômetros de distância da região onde a energia é gerada. Isso, para ele, torna a argumentação, junto a governos, mui- to favorável aos investimentos em bio- gás. “Se os governos querem desenvolver uma política regional, qual seria a mais in- teressante?”, questiona Quintela. Não à toa, continua o especialista, as informações obtidas pelo estudo vão servir como ferramenta para o projeto GEF Biogás Brasil atuar junto aos go- vernos estaduais e mesmo o Federal em reuniões para convencimento de imple- Tiago Quintela Giuliani, especialista do GEF Biogás Brasil: atividade precisa do setor acadêmico e de política pública específica de capacitação Felipe Souza Marques, diretor de desenvolvimento tecnológico do Cibiogás: treinamento interessante no Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR) Gabriel Kropsch, VP da Abiogás: nova oportunidade para os profissionais do mercado de gás

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