Brasil Energia | Ed. 480 - Abril, 2023

Brasil Energia , nº 480, 17 de abril de 2023 83 A s falhas em sistemas elétri- cos custam caro e envolvem desde os gastos em substi- tuição e manutenção corre- tiva até multas aplicadas pelos órgãos re- guladores, quando for o caso. Em fun- ção do acesso mais complexo, as falhas em redes subterrâneas são ainda mais complicadas do que um evento na infra- estrutura aérea. De olho na gestão dos ativos que fazem parte da infraestrutura subterrânea, algumas distribuidoras bra- sileiras estão testando o uso de fibra óp- tica para monitorar as redes enterradas. Esse tipo de aplicação não é novo, na avaliação do especialista Antônio Vitelli, da Retech. De acordo com ele, a inovação é a ampliação da fibra óptica para monito- rar vários parâmetros. A aplicação do mo- nitoramento combinado de temperatura e descargas parciais, por exemplo, pode- ria reduzir os custos de gestão do sistema e mais manutenção em 30%. Na prática, a antecipação de problemas – via manu- tenção preditiva – poderia elevar a vida útil média de cabos de alta tensão em re- des subterrâneas de 25 para 40 anos. Os dados citados por Vitelli estão ba- seados na experiência internacional de fa- bricantes representados pela empresa em aplicações em países europeus, onde as redes subterrâneas são mais presentes. No Brasil, iniciativas mais recentes indicam que pelo menos duas distribuidoras estão avançando nessa frente, a EDP e a CPFL. A primeira tem um teste em São Pau- lo, mas procurada por essa reportagem prefere não falar sobre o processo no momento. O que se sabe do projeto – em andamento – é que seria o primei- ro no país aplicado a uma rede subter- rânea de 138KV, utilizando um sistema em tempo real para monitorar cabos isolados por meio dos fenômenos de descargas parciais e temperatura. No caso da CPFL, a distribuidora tem um projeto em parceria com o CPQD, empresa referência em redes ópticas no país, usando os incentivos de pesquisa e desenvolvimento da Aneel. Com prazo de 36 meses, dividido em duas etapas de 18 meses, o projeto deve ser finaliza- do em agosto desse ano. O atraso acon- teceu porque as instalações do aparato de teste, iniciadas em outubro de 2019, foram pegas no meio do caminho pela pandemia de Covid-19. O piloto da distribuidora acontece em Campinas (SP), com testes em dois lo- cais: na avenida Francisco Glicério, uma CPFL e EDP têm iniciativas similares em São Paulo, com medição de parâmetros que vão além do monitoramento atual de temperatura POR NELSON VALENCIO

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