Brasil Energia | Ed. 481 - Junho, 2023

Brasil Energia, nº 481, 13 de junho de 2023 59 jamento da EPE para a construção de 8 a 10 GW em novas centrais geradoras. Os investimentos comportariam as participações do setor público e do se- tor privado, sem necessidade da que- bra do monopólio estatal da energia nu- clear previsto na Constituição Federal. A projeção é de que a execução do plano exigiria a geração de aproximadamente 50 mil empregos. Cunha explicou que uma das alternativas para resolver a equa- ção do monopólio seria o setor privado investir na construção das usi- nas, mas a gestão per- manecer a cargo da Eletronuclear. Um avanço impor- tante, na avaliação do presidente da Abdan, seria não somente a conclusão de Angra 3 como o governo levar adiante a proposta do PDE 2031 da constru- ção de outra nova usina nuclear na re- gião Sudeste até 2031. “São desafios que precisamos que o novo governo as- suma publicamente”, ressaltou. Cunha disse que o Brasil tem fica- do para trás em aspectos das ativida- des nucleares em relação a países de nível econômico similares e citou como exemplo a Argentina na área de exames de imagem com uso de equipamentos à base de tecnologia atômica. Para ele, o país vizinho, embora te- nha uma população que é quase a quin- ta parte da brasileira (45,8 milhões con- tra 207,7 milhões), realiza quatro ve- zes mais exames. Cunha ressaltou que o maior problema brasileiro é a defasa- gem entre regiões, com os benefícios desses avanços na área de saúde con- centrados no Centro-Sul. Cunha destacou ainda a importância da geração termonu- clear como alternati- va à descarbonização com segurança ener- gética, lembrando que, embora o Brasil tenha uma matriz elétrica das mais limpas do mun- do, a descarbonização passa pelos demais segmento intensivos em uso de energia, es- pecialmente os trans- portes e a indústria. De acordo com o executivo, a tecnolo- gia de pequenos rea- tores modulares (SMR, na sigla em inglês) já permite a construção de pequenos reatores flexíveis, solu- cionando um dos problemas, a inflexi- bilidade, para o uso da geração nuclear como base para a expansão das reno- váveis intermitentes. O presidente da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Gros- si, disse que “o momento é de esperan- ça para a energia atômica”, consideran- do a retomada da construção de usinas em várias partes do mundo e ainda as no- vas perspectivas trazidas pelo desenvol- vimento da tecnologia de SMR. Tecnologia SMR trouxe novas perspectivas para o futuro do setor

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