18 Brasil Energia, nº 486, 19 de abril de 2024 entrevista Magda Chambriard que estão sendo abordadas. Bem do lado, apareceu uma descoberta grande da Eni, na Costa do Marfim. O Uruguai, recentemente, licitou áreas (próximas a Pelotas). A Argentina está licitando áreas nessa região. Eu diria que, sem Sergipe-Alagoas e a Margem Equatorial, só consigo pensar em Pelotas. E a Bacia do Paraná? Essa bacia tem 1,3 milhão de km2 no território brasileiro, abrange oito estados. Ela seria o ideal para explorar, até porque seria prioritariamente para gás, pelo que temos conhecimento. Só que, olhando para a Bacia do Paraná, vemos duas camadas imensas de basalto, dificílimas de perfurar e, principalmente, de olhar para ver o que tem embaixo. O melhor levantamento sísmico que tenho notícia foi feito pela ANP. Depois disso, o Estado parou com o investimento. Isso não progrediu. A Bacia do Paraná persiste enfrentando todas as dificuldades do passado, de engenharia e mapeamento. Se ela tivesse mesmo gás em oito estados brasileiros no Sul do Brasil até o início do Centro-Oeste, seria maravilhoso. Mas, por enquanto, isso ainda é uma incógnita cara de enfrentar. Nenhuma oportunidade mais? Outra bacia de nova fronteira que a ANP também tentou enfrentar foi a Bacia do Parecis. Eu, particularmente, acredito que ela merece um investimento público maior. Essa bacia tem cerca de 400 mil km2, localizada na região do agronegócio brasileiro, para gás. A ANP chegou a perfurar um poço estratigráfico. Há indícios de gás. Foi a única bacia brasileira que a carta estratigráfica foi feita pela ANP. Todas as outras foram feitas pela Petrobras. Essa situação me mostra que valeria à pena explorar um pouco mais. Muitos colegas dizem que o risco exploratório é altíssimo. Eu digo: bem-vindos a essa indústria. Nova fronteira é um risco exploratório elevado. Se você pudesse escolher, em quais novas fronteiras da Margem Leste apostaria? Eu acredito que deve ser feita uma concentração de esforços agora em Pelotas e no Parecis. Mas a gente não pode desistir da Margem Equatorial. Nesse ponto, meu foco é a Foz do Amazonas, pelo tipo de geologia, pelo afastamento da costa, pelas águas profundas e pelo talude mais espesso. Indo para o Pará- -Maranhão, que muitos defendem e que é possível que tenha coisa boa lá, já é encontrado parcel. A OGX ficou parada lá por um ano por questões de licenciamento ambiental e depois foi desmobilizada sem conseguir perfurar. Na Bacia do Ceará, houve produção em águas rasas por muito tempo e uma empresa especialista como a Petrobras não se aventurou a ir em águas profundas ali. Isso deve ter algum motivo. Em Barreirinhas, a mesma coisa. E a própria Potiguar. Louvo a iniciativa da Petrobras em perfurar Pitu (campo da Bacia Potiguar). É ótimo ter uma continuidade exploratória. O Brasil está precisando. Em 2023, a Petrobras não perfurou um poço pioneiro. Nas últimas gestões da Petrobras, houve uma queda significativa do investimento em exploração. As petrolíferas internacionais não costumam to-
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