e-revista Brasil Energia 487

Brasil Energia, nº 487, 25 de junho de 2024 43 Paula Kovarsky, engenheira mecânica e de produção, tem MBA em finanças corporativas e é VP na Raízen. Escreve na Brasil Energia a cada três meses. Paula Kovarsky “De onde se espera que venha uma grande ruptura tecnológica? De uma startup no Vale do Silício.” Assim começou o podcast* de um professor de Harvard, responsável pela cadeira de mudanças climáticas, narrando um case escrito sobre um projeto único e pioneiro de descarbonização em escala global, desenvolvido por uma empresa de um setor centenário: o etanol de segunda geração (E2G) ou etanol celulósico, desenvolvido pela Raizen, aqui no Brasil. O país já era pioneiro, com a primeira planta de etanol de segunda geração, operando em escala industrial no mundo. Em maio, foi inaugurada oficialmente a maior planta de etanol de segunda geração do mundo. Importante entender quantos paradigmas estão sendo quebrados nesse momento em que o Brasil tem a possibilidade de se firmar no papel de protagonista mundial na agenda de descarbonização. Lembro bem das conversas que tive com potenciais investidores ou financiadores de projetos de etanol celulósico antes da pandemia quando morava nos Estados Unidos. Cerca de USD 7 bilhões foram investidos naquele país em tentativas falhas de desenvolver essa tecnologia. Fácil imaginar o olhar de desdém dos “gringos” pensando que: “se eles não conseguiram, seriamos nós, brasucas, que iríamos conseguir?”. Fora isso, acreditar que uma indústria tão antiga quanto a da cana-de-açúcar, uma típica incumbente, seria capaz de desenvolver uma tecnologia de ponta no seu próprio quintal parecia totalmente improvável, para não dizer impossível. Mas não são só os “gringos” que têm resistência para entender o tamanho da oportunidade que estamos criando para o Brasil. A concretização desta jornada inclui industrialização, exportação de tecnologia e monetização de atributos de sustentabilidade com prêmio relevante em mercados desenvolvidos, que não tem alternativa para atender seus compromissos de descarbonização. Estamos discutindo ativamente as oportunidades que a chamada economia verde pode criar no Brasil no contexto das recomendações que devemos levar para o G20, que acontecerá no Rio de Janeiro no final do ano. Precisamos entender que o potencial do E2G é essencial. O primeiro tema que merece atenção é a questão da industrialização, ou aumento da complexidade da economia brasileira. Em outras palavras, criar oportunidades para além da exportação de commodities, atraindo investimentos para indústria, agregando valor aos produtos e criando empregos. Nessa agenda cabem projetos ambiciosos como renascimento da indústria de aço e alumínio, hidrogênio e outros, que de fato podem ser transformacionais para o Brasil no médio prazo. Mas para quem não sabe são necessários investimentos de mais de R$1 bilhão por planta de E2G, criando quase mil empregos diretos e indiretos. Se isso não é industrializaEtanol celulósico: é verdade e é do Brasil

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