44 Brasil Energia, nº 487, 25 de junho de 2024 Continuação Paula Kovarsky ção, no presente, gerando benefícios concretos, não saberia dizer o que é. Além disso, este produto já está sendo vendido na Europa pelo triplo do preço do etanol praticado no mercado local. Olhar para o E2G como mais uma commodity é, no mínimo, uma simplificação. No caso da Europa, onde terra agricultável é um bem escasso e a competição com a produção de alimentos um grande problema, os chamados biocombustíveis avançados ou produzidos a partir de resíduos têm enorme valor no mercado. O E2G é produzido a partir do bagaço da cana, o que permite aumentar em cerca de 50% a produção, sem necessidade de plantar sequer um hectare de terra adicional, tendo ainda pegada de carbono cerca de 30% menor que a do etanol comum, contribuindo ainda mais para melhor precificação. Sendo uma tecnologia única e com patente nacional, esse processo de produção de combustíveis avançados a partir de uma matéria prima disponível, confiável, rastreável e abundante poderá ser exportada para outros países produtores de cana de açúcar como Índia, Tailândia, Austrália e até os Estados Unidos. O Brasil será exportador de uma tecnologia de ponta que pode e vai contribuir muito para a criação de renda adicional no campo e descarbonização economicamente viável em países como a Índia ou, pasmem, para redução de queima de bagaço de cana nos Estados Unidos, em estados como a Flórida. Se explorarmos o potencial total de produção de E2G no Brasil, usando todo o bagaço de cana disponível no setor, seria possível aumentar em 50% a produção de etanol no país sem qualquer adição de área plantada, atraindo investimentos de dezenas de bilhões de dólares, gerando um produto premium, tipo exportação, com enorme valor e escassez internacional. Mais uma oportunidade que não podemos desperdiçar. E nem sobrou espaço para falar da possibilidade de eletrificar caldeiras usando energia renovável, outra das nossas vantagens competitivas, para liberar mais bagaço, produzir mais E2G, e exportar energia na forma desta molécula. Fica para o próximo artigo! *Ouvir ou ler a transcrição do podcast em https://hbr.org/podcast/2024/01/can-secondgeneration-ethanol-production-help-decarbonizethe-world Com o etanol E2G é possível aumentar em 50% a produção sem adicionar área plantada
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=