Brasil Energia, nº 487, 25 de junho de 2024 47 ras estão em busca desses consumidores”, disse Vianna à Brasil Energia. “Mas o que buscamos e defendemos na Delta é a abertura total do mercado que, para nós, pode acontecer em 2026. O mercado está maduro, a CCEE está preparada, mas o importante é essa aceitação da abertura por parte do governo”, explicou, fazendo referência ao anúncio recente do ministro Alexandre Silveira (MME) de que a pasta pretende encaminhar ao Congresso, até agosto, proposições legislativas para promover a abertura total do ambiente livre a partir de 2030. A abertura completa do ACL foi tema de consulta pública recente (137/2022), que propôs um cronograma de implantação para o modelo com início em janeiro de 2026. A proposta é permitir que todos os consumidores, incluindo os residenciais e rurais de baixa tensão, possam comprar energia elétrica diretamente de qualquer fornecedor a partir de janeiro de 2028. O relatório da CP foi divulgado pelo MME em dezembro do ano passado, com índice de 94% de aprovação para a proposta de abertura para todos. No total, 53 representantes de todos os segmentos do setor elétrico deram sua contribuição. Um estudo realizado pela Volt Robotics para a Abraceel e divulgado em 15 de maio pela associação aponta que a abertura mais ampla do mercado livre tem potencial para beneficiar mais de 6,4 milhões de consumidores industriais e comerciais, que ainda compram energia no mercado cativo, proporcionando a eles economia anual total de R$ 17,8 bilhões na conta de energia. No segmento comercial, o mapeamento identificou que o Brasil conta com mais de 6,1 milhões unidades consumidoras, que demandam 8,0 GW médios. Dessas, apenas 2 mil (647 MW médios), entre os maiores estabelecimentos comerciais brasileiros, já estão no mercado livre. Adicionalmente, outros 77 mil (2.133 MW médios) estão aptos a comprar energia do fornecedor que escolher, pois atendem requisitos para migrar do mercado regulado ao livre. Mudança de paradigma Para Vianna, as comercializadoras precisam romper uma questão cultural para chegar aos possíveis novos consumidores. “São cerca de 90 milhões de consumidores. Lógico que nem todos vão migrar, mas vou botar metade disso, estou falando de 40 e poucos milhões. Então, para alcançá- -los, temos que ter uma estratégia de comunicação e marketing para facilitar esse acesso, com ações e ferramentas baratas, de massa, explicativas. Esse é o grande desafio, uma nova abordagem. Agora, nem todos os comercializadores, conforme percebo em conversas com meus pares, pretendem entrar no varejo, justamente por questões que envolvem custo. Você tem que botar muitos recursos da frente até chegar no ponto de equilíbrio”, diz. O uso de tecnologia nessa abordagem, aponta Vianna, facilita o entendimento dos benefícios possíveis para o consumidor. “Na Luz, desenvolvemos um aplicativo que fotografa e digitaliza a conta de energia, processa as informações e informa quanto você pode economizar se você for cliente nosso. Nossos clientes de baixa tensão na GD compartilhada recebem um medi-
RkJQdWJsaXNoZXIy NDExNzM=